Duhalde afirma que Malvinas serão recuperadas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de abril de 2002
Agência Folha 
São Paulo - Cada uma de suas pedras, cada um de seus lugares, tudo é argentino e temos que saber que algum dia poderemos recuperar as Ilhas Malvinas. A frase, dita pelo presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, resume de certa forma o sentimento da maior parte dos argentinos, ontem, dia em que se comemorou os 20 anos da invasão argentina às Malvinas, denominada Falklands pelos britânicos.
Porém a recuperação das Malvinas, segundo o discurso que Duhalde realizará hoje em Ushuaia, a cidade mais austral do mundo localizada na Argentina , se dará pela via diplomática, e não pela militar, fracassada no intento da Junta Militar, iniciado em 2 de abril de 1982 e concluído com a rendição em 14 de junho do mesmo ano.
Na celebração, 3 mil ex-combatentes se reunirão em Ushuaia, onde farão uma navegação pelo estreito de Beagle e posteriormente desfilarão com uma bandeira de 2 mil metros de extensão por uma avenida beira-mar da cidade. Os ex-combatentes, quase na sua totalidade, exigem o empenho do governo na retomada das ilhas, de onde os argentinos foram expulsos pelos britânicos em 1833.
Essa postura nacionalista, de que las Malvinas son argentinas, buscam dar uma dimensão heróica para a Guerra das Malvinas, de acordo com o colunista do diário Clarín Oscar Raúl Cardozo, que cobriu o conflito e é considerado um dos maiores especialistas sobre o tema na Argentina.
Exemplo desse furor nacionalista do Exército pode ser escutado no programa Sólo heroes, da rádio Soldados, de Buenos Aires. Dos 40 ex-combatentes e militares entrevistados no programa, que nos últimos dois meses tem se dedicado à memória das Malvinas, nenhum disse ser contrário à retomada das ilhas. Alguns, inclusive, apóiam a luta armada para recuperá-la.


