Duas vitórias muito apertadas
Uma vitória apertada da Seleção e outra idêntica, esta representada pelo jogo até aqui difícil de impor alguma sanção ao deputado federal José Janene. O Brasil passou pela Croácia (pelo estreito placar de 1x0) mas o parlamentar paranaense não conseguiu livrar-se do Conselho de Ética, que ontem recomendou ao Congresso a sua cassação. O relator considerou comprovado o repasse a Janene de R$ 4,1 milhões no escândalo do denominado Valerioduto. Agora o processo segue para votação dos 513 deputados federais, que têm 90 dias para esse procedimento, embora o denunciado ainda possa apelar para a Comissão de Constituição e Justiça e para o Supremo Tribunal Federal. Para afastar Janene definitivamente serão necessários 257 votos. O deputado que está em Londrina, isolado em seu apartamento e não tem aparecido publicamente é o último dos 19 parlamentares denunciados pela CPI dos Correios, sob a acusação de haverem se beneficiado do esquema da corrupção, e destes apenas 3 foram cassados: Roberto Jefferson, José Dirceu e Pedro Corrêa. Para fugir do processo, renunciaram ao mandato Paulo Rocha, José Borba (outro paranaense), Valdemar da Costa Neto e Carlos Rodrigues. Os demais foram absolvidos. O fôlego de Janene veio surpreendendo, e colegas chegaram a declarar que ele ''é muito forte''. A decisão de ontem do Conselho de Ética é, portanto, uma vitória da luta pela moralidade. Chegou-se a crer que isto não ocorreria, mas ao menos o primeiro jogo foi vencido. Ainda há 'adversários' pela frente, que são os das recorrências, e é certo que o deputado se valerá de todas as jogadas para isso. Quase duas dezenas de processos envolvem José Janene e nas últimas semanas também membros de sua família foram denunciados e ele vai resistindo. Mas ontem um de seus bastiões ruiu e poderá ser a pedra de dominó que derrubará todas as demais. Se ele for cassado, perderá a imunidade parlamentar, e sua vulnerabilidade aumentará. Aqueles que temiam por um desfecho pior uma derrota nesta primeira partida respiraram um pouco mais aliviados, porque o caso já vinha prendendo a respiração da torcida, já bastante nervosa e indignada. Desta vez não houve prorrogação e a votação no Conselho de Ética se concluiu. Foram preciosos pontos conquistados, que poderão ser valiosos nas próximas fases, marcadamente a que passará pela votação do Congresso. Será preciso haver quorum e votação suficiente, e admite-se que a rodada ainda não terminou e tem ainda pedras de tropeço pela frente.





