Duas delicadas questões para o prefeito
O prefeito de Londrina, Barbosa Neto, tem dois problemas para resolver e ambos tocam diretamente no interesse da população. Trata-se da tarifa dos ônibus urbanos e da ideia aventada de mudar a localização prevista para o Teatro Municipal. O primeiro é mais urgente porque bate diretamente no bolso de milhares de usuários e tem a ver também com as empresas que fornecem vale-transporte aos empregados.
Desde que se implantou o serviço dos ônibus circulares em Londrina sempre houve polêmica no momento de discutir o preço da passagem. A empresa do passado e as empresas de agora sempre valeram-se de artifícios para obter a elevação da tarifa. É notório que as operadoras do serviço sempre dão ajuda nas campanhas, indistintamente, aos candidatos à Prefeitura mais cotados nas pesquisas, e isto faz parte do processo eleitoral se obedecidas as normas legais. O objetivo é, naturalmente, obter a simpatia do que for eleito.
Mas também não têm faltado denúncias de subornos, conforme o farto noticiário do ano passado a respeito. Suspeita de superavaliação que consta dos dados fornecidos agora pelas empresas é uma questão que precisa ser devidamente avaliada, e esta é tarefa que não pode ser movida por emoções ou eventuais posições políticas caprichosas. A parte técnica tem de receber o parecer de técnicos, e a parte política - que é a boa prestação de serviços - é incumbência dos políticos, aí compreendidos os vereadores e o prefeito. O que deve prevalecer é aquilo que beneficia o mais possível o usuário, mas também de maneira que não prejudique as empresas e que as leve a condições de impasse. Quanto ao lugar para o Teatro, empreendimento tão almejado mas que não é prioritário diante de necessidades sociais mais urgentes, um fator novo entrou no processo quando alguém sugeriu incorporá-lo ao futuro Jardim Botânico, que se situa na zona suburbana, distante do centro. No debate, o que não faz sentido é imaginar que o Teatro tem a função de favorecer um empreendimento empresarial privado - shopping center, hipermercado e centro de eventos - no denominado Marco Zero. Este terá seus naturais atrativos, é obra igualmente de interesse popular e deve ter amparo da política municipal de incentivo às iniciativas particulares.
Precisa-se saber o que o Jardim Botânico (obra do Governo do Estado em gestação) oferece a mais que o projeto do Marco Zero. Este já prevê vias de acesso e o mencionado centro de convenções e eventos, e não se estriba no Teatro para concretizar-se. Já o Botânico vale-se dessa casa de espetáculos para engalanar-se. Como diz a linguagem popular, alguém está procurando ''sarna para se coçar'' ao mexer em algo que, em princípio, já foi definido e não recebeu posição contrária da população.





