Drogas: uma viagem alucinada - José Tavares
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 1999
José Tavares 
Ao iniciar-se no caminho das drogas o jovem não faz idéia do tamanho da confusão em que está se metendo. Isto se deve, principalmente à falta de informação correta, esclarecimentos honestos baseados em fontes científicas.
Quem resolve experimentar algum tipo de droga tem em mente uma nova experiência cheia de prazer e não a intenção de se viciar. Porém, o que acaba encontrando é o caminho da dor e da prisão. O processo de desintoxicação é caro, longo e penoso para os usuários, familiares e amigos, sempre existindo a possibilidade da recaída após a recuperação.
O jovem brasileiro está se iniciando cada vez mais cedo no mundo das drogas. Uma pesquisa realizada em Curitiba, no ano passado, por uma clínica particular, confirmou que a idade média do usuário de drogas caiu de 20 para 15 anos e a maioria é dependente de mais de uma droga, sendo o crack o mais consumido.
Outra pesquisa, realizada no final de 1997 pela Escola Paulista de Medicina, da USP, com estudantes de 1º e 2º graus de Curitiba, concluiu que 27,4% dos alunos consomem algum tipo de droga. O levantamento apontou os solventes e a maconha como as drogas mais consumidas, seguidos por anfetaminas e cocaína. Ainda segundo a pesquisa, os estudantes do sexo masculino têm maior envolvimento com as drogas ilícitas e fazem uso regular de drogas lícitas como álcool e tabaco a partir dos 13 anos.
Outros estudos demonstram o aumento exagerado do consumo do crack, de solventes voláteis e as colas (de sapateiro, aeromodelismo, etc.), produtos de fácil acesso, preço baixo e alto poder de dependência. Estas drogas apresentam alto grau de comprometimento químico e físico para o organismo e estão sendo largamente utilizadas por menores carentes que vivem nas ruas das cidades brasileiras.
No Paraná, o Conen - Conselho Estadual de Entorpecentes vem trabalhando diuturnamente na questão da prevenção e combate ao uso das drogas. Até novembro de 98, o Conselho desenvolveu diversos cursos de formação em prevenção na capital e interior do Estado, palestras de orientação sobre prevenção atingindo mais de 4.000 educadores e prestou mais de 2.000 atendimentos terapêuticos. Estes números deverão ser ampliados este ano, atingindo um número maior de jovens e familiares a fim de evitar novos dependentes e mortes causadas pelo uso de drogas.
O problema das drogas é muito sério e deve ser encarado de frente. Nas penitenciárias paranaenses é alto o índice de internos presos por tráfico e crimes ligados diretamente ao consumo de drogas lícitas (alcoolismo) e ilícitas. A violência gerada pelo uso e comércio de substâncias tóxicas pode ser vista diariamente através das manchetes policiais dos grandes jornais brasileiros. Na Penitenciária Feminina do Paraná, em Piraquara, mais de 70% das detentas cumprem pena por tráfico de drogas e outras 15% cometeram crimes drogadas ou bêbadas.
No Paraná esta realidade será mudada. Para isso estamos investindo na prevenção e orientação de jovens e adultos, bem como as autoridades competentes estão atacando diretamente o tráfico e o consumo de drogas através da aplicação severa da lei.
É preciso o engajamento de toda a sociedade neste processo, pois se você decidiu não usar drogas, é uma pessoa de sorte. Mas, se alguém de sua família ou de seu círculo de amizades fez a escolha errada, a sorte dele vai depender da ajuda de pessoas como você.


