Drogas: uma batalha de todos
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 2002
Jorge Salles 
Os casos de violência relacionados ao consumo de drogas vêm provocando não só uma enorme repercussão na mídia como assustado a sociedade, principalmente pais de adolescentes e jovens. Ante o caos, não deixa de ser elogiável os esforços que algumas organizações têm despendido de forma quase anônima para enfrentar esta ameaça coletiva, com pouco ou nenhum apoio oficial. Assim, o fato é que cresce o número de dependentes, aumentando o medo e a insegurança.
É preciso que haja uma mobilização capaz de convencer e conscientizar os jovens do risco a que estão expostos a cada dia, em cada esquina de qualquer cidade deste País.
Neste processo, algumas etapas são condições necessárias. A começar pela estruturação de um modelo orgânico e exequível que seja capaz de resultar em fórmulas práticas e realizáveis em curto ou médio prazo. Em primeiro lugar é preciso vontade política dos governantes, com a estruturação de uma Coordenadoria Antidrogas, ligada diretamente ao poder decisório do Estado à semelhança do já existente no governo federal.
Uma instância ágil, desburocratizada e que lidere todos os esforços necessários através da estrutura formal do Estado. A criação de um Fundo Antidrogas com recursos advindo, por exemplo, do ICMS da venda de cigarros e bebidas. Reformular o Conselho Estadual de Entorpecentes do Paraná que, com funções normativas e deliberativas, ampliará a participação de organizações que atuam na área, fugindo assim do atual hibridismo que o limita: legislar e executar.
O estímulo e apoio financeiro à municipalização das ações a criação de Conselhos Municipais Antidrogas é o primeiro passo assim como estruturar Unidades Especializadas nos hospitais universitários para tratamento e diminuição dos agravos e, principalmente, a organização de um Grupo Técnico Multidisciplinar permanente, para homogeneizar os conceitos, definir as diretrizes aos projetos macros e coordenar o treinamento dos envolvidos através das instituições de ensinos estaduais e privados.
E fundamental neste processo o engajamento de professores um orientador antidrogas em cada escola, por exemplo bem como recuperar para servir a comunidade, a experiência e a riqueza de conhecimento de voluntários da terceira idade. Muitas destas ações poderão ser financiadas com recursos do Fundo Nacional Antidrogas do governo federal, além da possibilidade de captação recursos em organismos internacionais e a desejável parceria com a iniciativa privada. Mao-Tse-Tung, o líder chinês, afirmou que ''toda grande marcha começa pelo primeiro passo''. O desafio está posto. Basta que queiramos mudar.
JORGE SALLES é médico psiquiatra em Curitiba


