Drogas em discussão
Dois projetos atualmente em discussão no Congresso Nacional merecem atenção e acompanhamento da população em geral. O primeiro tenta suspender resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que proíbe a venda dos inibidores de apetite anfepramona, femproporex e mazindol (derivados da anfetamina) e cria restrições severas à sibutramina. O segundo é ainda mais polêmico. Trata-se da regulação do uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.
É importante que os cidadãos acompanhem o trâmite desses projetos. Nos dois casos, as opiniões de médicos e especialistas não são unânimes e, por isso, é preciso ter cautela.
A questão dos inibidores de apetite é antiga. A obesidade atingiu níveis alarmantes em todo o mundo e tornou-se um problema sério de saúde pública no Brasil. É claro que o ideal seria desenvolver uma ampla campanha de conscientização e educação a respeito dos benefícios da vida saudável. A combinação "dieta balanceada e exercícios físicos" ainda é a melhor opção a ser seguida, mas é fato que nem todos conseguem isso. Outro ponto importante é que a obesidade provoca vários outros danos à saúde, como hipertensão, diabetes, enfarto entre várias outras doenças. No entanto, liberar substâncias que provocam danos sobre outros órgãos também não parece o ideal.
Sobre a regulação da maconha, o tema é ainda mais espinhoso. Ainda que o seu princípio ativo apresente benefícios ao tratamento de algumas doenças, especialistas afirmam que a maconha é a "porta de entrada" para outras drogas mais pesadas. Liberar o uso recreativo não poderia contribuir para o consumo ilegal de substâncias como cocaína e crack, por exemplo? Os dois assuntos merecem uma atenção especial da sociedade. É claro que o trâmite no Congresso, geralmente bastante lento, irá contribuir para que o assunto seja amplamente debatido. E, devido à gravidade, é importante que todos acompanhem.





