Drogas e direção
Pesquisa realizada com caminhoneiros de todo o País confirma o que já era sabido: a maioria dos profissionais que trafega diariamente pelas rodovias utiliza algum tipo de substância ilícita para retardar o sono. O levantamento, realizado em todo o País pelo Ministério Público do Trabalho com apoio da Polícia Rodoviária Federal, aponta que 12% dos entrevistados admitiram o uso de drogas, enquanto 64% informaram conhecer colegas que utilizam substâncias ilícitas. A disparidade entre os resultados é creditada ao constrangimento de se admitir a utilização de drogas.
Essa é uma realidade que precisa ser modificada e um problema que deve ser enfrentado. Apoio aos motoristas nas estradas, campanhas de conscientização junto aos profissionais e empresas de transporte e oferta de tratamento aos dependentes são algumas ações que precisam ser desenvolvidas.
Embora ainda não tenha sido feito nenhum estudo que faça uma correlação direta entre o número de acidentes de trânsito e o uso de entorpecentes pelos motoristas parece óbvio que isso ocorre. Somente na área da 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, que inclui 16 postos rodoviários no Norte do Estado, 29% dos acidentes registrados neste ano (até 4 de outubro) envolveram caminhões. Desse total de ocorrências, 35% delas resultaram em vítimas fatais.
Portanto, não adianta mais ignorar o problema. A Lei do Descanso (legislação 12.619/12) que deve entrar em vigor em meados de março tem por objetivo obrigar os caminhoneiros a repousar no mínimo 11 horas por dia, além de descansar 30 minutos a cada 4 horas ininterruptas de direção. No entanto, é importante que se crie mecanismos confiáveis para fiscalização. Se não houver isso, é mais uma das leis brasileiras fadadas ao esquecimento, uma vez que a própria categoria profissional apresenta resistência à legislação sob o argumento de reduação de rendimentos. Além disso, a maioria das rodovias sequer conta com estrutura necessária para oferecer conforto aos motoristas. A lei é uma tentativa de minimizar o problema. No entanto, mais ações são necessárias.





