Drogas ameaçam jovens
Além de ter se destacado como rota do tráfico de entorpecentes para a Europa - o número de apreensões de cocaína no continente europeu após passar pelo País aumentou cerca de dez vezes em quatro anos -, o Brasil não consegue minimizar um dos capítulos mais cruéis do submundo da droga.
Organizações não governamentais país afora contabilizam que mais de duas mil crianças e adolescentes são ameaçados por traficantes, sobrevivendo sob proteção permanente de ONGs ou de prefeituras.
No âmbito federal, do universo de jovens que estão sob proteção do Estado, 57% têm relação com o tráfico de drogas. Quando entram para o programa, são encaminhados a outros Estados ou levados para casas de apoio, onde permanecem por até seis meses. Precisam reescrever suas histórias, perdendo o contato com parte de sua formação como pessoas.
A grande maioria dos menores ameaçados é afrodescendente (70%), com ensino fundamental incompleto (60%), tem renda familiar inferior a um salário mínimo (63%) e com idade entre 13 e 17 anos (80%).
São meninos e meninas que se inserem no vício na tenra idade, vítimas da falta de proteção oficial, e se envolvem com o comércio para alimentar o próprio consumo. Também há casos em que os jovens são ameaçados devido a dívidas contraídas pelos pais. Uma verdadeira demonstração de como faltam programas eficientes de recuperação dos jovens que se envolvem com entorpecentes.
No Brasil, de acordo com o Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens (PRVL), a possibilidade de ser vítima de homicídio é maior entre jovens e adolescentes. E um estudo realizado pela entidade em 266 municípios com mais de cem mil habitantes traz um prognóstico alarmante: quase 33 mil adolescentes serão assassinados entre 2007 e 2013, se as condições não mudarem.
O dado em si deveria ser motivo de vergonha para qualquer governante, mas a falta de ação mais efetiva indica o quanto o assunto parece incomodar pouco quem tem a caneta na mão. Uma inércia que pode ameaçar o futuro.





