A vendedora autônoma Solange Aparecida de Moraes, 25, foi uma das únicas que aceitou ser fotografada. Ela mora no Jardim Roma, na periferia de Almirante Tamandaré. Solange diz que no bairro o tráfico de drogas é constante. Qualquer boteco vende maconha e não existe controle policial. ‘‘Tem em todo lugar.’’ Ela diz que nunca teve problema com os traficantes, mas atribui a eles as constantes mortes na região. ‘‘Morre gente toda semana.’’
Na Favela Chico Mendes a situação não é diferente. Assassinatos, assaltos e tiroteios são os principais problemas apontados por moradores. ‘‘Esses dias entraram em casa e levaram tudo. A gente sabe quem é, mas não faz nada. A gente tem medo de represálias’’, diz Lourdes Mendonça (nome fictício), 42. Ela também já foi ameaçada de morte e viu muitos conhecidos sendo executados. ‘‘É tudo por causa do tráfico de drogas. Tenho muito medo de tudo.’’
A comerciante Guilhermina Martinez, 48, já sofreu quatro assaltos na favela. Agora, ela fecha as portas às 18 horas para evitar maiores problemas. Os ladrões levam de tudo, de dinheiro a carne do açougue. ‘‘A gente chama a polícia, mas nunca consegue pegar. Os ladrões fogem pelo mato e fica tudo como antes.’’

mockup