Drama sem fim
Até a noite de terça-feira, a rebelião na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2), ocorrida no início do mês, era um problema distante para a maioria dos paranaenses. A sociedade viu, pela imprensa, as cenas de violência praticadas por presos no telhado do complexo e sentiu-se aliviada quando a revolta terminou 24 horas depois.
Demorou alguns dias, mas o drama da rebelião extrapolou os muros da PEL e da casa dos familiares dos detentos. Por mais de 20 horas, parentes dos presos fecharam uma das principais rodovias que passam por Londrina, a PR-445, na saída para Curitiba. O grupo era formado principalmente por mulheres - esposas, mães e filhas dos encarcerados.
A manifestação, que começou às 18 horas de terça-feira, resistiu durante toda a madrugada de ontem e à tarde ainda não tinha terminado. Um grande congestionamento foi formado e na fila havia muitos caminhões. Quem tentava furar o bloqueio era cercado pelas mulheres que explicavam com fervor as razões para o fechamento da estrada. Elas criticam a falta de informações sobre a situação dos 950 detentos que permaneceram na PEL 2, unidade que foi bastante destruída pela rebelião - 160 homens foram transferidos para outras unidades carcerárias do Estado e 20 teriam fugido.
Sabe-se que os 950 presos estão dispostos em três barracões. As famílias dizem que eles não têm roupas adequadas, nem agasalhos para enfrentar as noites mais frias. Elas também questionam sobre o fornecimento de água e alimentos e reclamam que são poucas as informações fornecidas pela Polícia Militar (PM) e pelo Departamento de Execução Penal (Depen) quanto ao estado de saúde dos parentes.
Certamente, a angústia dos familiares aumentou depois que veio a público a notícia de que o Instituto de Criminalística (IC) recolheu na área externa da PEL 2 um material carbonizado suspeito de ser fragmento de ossada humana. Há confirmação oficial da morte de um preso, que foi jogado do telhado da prisão pelos rebelados.
Na semana passada, a Defensoria Pública do Paraná pediu a interdição da unidade. Não se pretende aqui apoiar ou condenar o protesto dos parentes dos detentos. Mas é urgente que o Estado preste conta da situação dos homens que estão na unidade. Normas internacionais de direitos humanos orientam o atendimento das pessoas submetidas à custódia do Estado - regras que são frequentemente desobedecidas quando se analisa a superlotação em cadeias e penitenciárias brasileiras.





