Dragão fica cada vez mais forte
O dragão parecia domado, mas começa a dar sinais de que não está tão adormecido assim. O boletim Focus, divulgado nesta semana pelo Banco Central, mostra que a expectativa do mercado é de que a inflação deste ano atinja 6,29%, aproximando-se perigosamente do teto da meta definida pelo governo, que é de 6,5%. É a sexta revisão consecutiva para cima na estimativa - no relatório anterior o índice foi de 6,26%.
No mês passado, a inflação acumulada em 12 meses bateu os 6,30%, maior alta desde novembro de 2008, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa do Banco Central, realizada semana passada com analistas financeiros da iniciativa privada, aponta tendência de alta também dos preços administrados ou monitorados por contrato (combustíveis, energia, telefonia fixa, saúde, transporte público, educação, etc.). A projeção de reajuste acumulado desses preços subiu para 4,80%. Os números só comprovam o que os consumidores vêm sentindo no bolso.
O governo tem anunciado série de medidas anti-inflacionárias, entre elas o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoa física. A expectativa ontem à noite era para o anúncio do aumento na taxa básica de juros por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). A projeção é de que o novo índice da taxa Selic passe a ser de 12,25%, aumento de 0,5 ponto percentual.
As altas inflacionárias não ameaçam apenas a economia brasileira. A China, por exemplo, registrou em março aumento de 5,4% nos preços ao consumidor, no acumulado dos últimos 12 meses. A pressão, que começou com a alta mundial das commodities, agora ameaça se espalhar para os produtos industrializados.
O grande desafio do governo brasileiro agora é tomar medidas que consigam recolocar rédeas curtas no dragão, mas sem derrubar o crescimento econômico a ponto de gerar aumento no desemprego. Um quebra-cabeça e tanto.





