Doses de esperança
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de janeiro de 2021
Folha de Londrina 
A chegada da vacina ao Brasil é a primeira grande notícia de 2021. Em meio a uma guerra ideológica absurda e teses negacionistas que ousaram colocar a ciência em xeque, a imunização da população brasileira contra o novo coronavírus deve ser iniciada ainda em janeiro, conforme articulação entre os estados, o governo federal, a Anvisa e o Instituto Butantan, que visa um plano conjunto de vacinação da Coronavac. As doses de bom-senso, tão importantes quanto as do imunizante desenvolvido pelo Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac, tardaram a ser aplicadas, mas finalmente prevaleceram.
O anúncio do Ministério da Saúde da assinatura do contrato para a compra de 100 milhões de doses da Coronavac, feito no final da semana, é um alento também para a população londrinense, uma vez que foi com esse imunizante que a prefeitura firmou acordo para aquisição. O prefeito Marcelo Belinati (PP) confirmou que assinou um protocolo de intenções com os fabricantes a ser enviado ao Instituto Butantan com o propósito de garantir a compra dos lotes necessários para imunizar a nossa população.
Embora haja ainda quem resista à vacina, a comunidade científica avalia que o índice de eficácia da Coronavac é satisfatório. Os dados divulgados pelo Instituto Butantan e o governo de São Paulo apontam que o imunizante tem eficácia de 78% a 100% nos estudos finais realizados no Brasil.
Integrantes da área de saúde dos governos federal e paulista afirmam que a tendência é pela aprovação da vacina, a despeito de também essa questão ter sido usada para motivar divergências políticas. Uma série de reuniões preparatórias entre membros do Instituto Butantan com a Anvisa indica que há um entendimento de que a imunização é inevitável.
Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o contrato prevê que as primeiras 46 milhões de doses serão entregues até abril, e o restante (54 milhões), vai ser repassado pelo Butantan no decorrer do ano.
O governador Ratinho Jr. (PSD) já afirmou que a vacinação no Paraná deve começar ainda neste mês em profissionais de saúde e comunidades indígenas isoladas. A campanha, garantiu, respeitará os critérios do Plano Nacional de Operacionalização contra a Covid-19 e as doses que ingressarem no Plano Nacional de Imunização.
A corrida contra o tempo é crucial, afinal o Estado enfrenta uma taxa de letalidade assustadora neste início de ano, atestando que não há uma “segunda onda”, como alguns querem acreditar. A “primeira onda” nunca acabou. O Paraná já registrou 626 mortes provocadas pelo novo coronavírus na primeira semana de janeiro, marca que demorou pouco mais de três meses para ser alcançada no Estado no início da pandemia, em 2020, conforme reportagem da FOLHA deste final de semana. No Brasil, mais de 200 mil pessoas perderam a vida por complicações decorrentes da Covid-19.
Os números crescem, mas o saldo que fica nem tem como ser mensurado. É só perguntar a quem contraiu e se recuperou da doença e a quem perdeu gente querida para o vírus para tentar dimensionar o efeito nefasto que essa pandemia provocou, provoca e ainda provocará nas vidas humanas. Que venha a vacina e com ela uma esperança de, enfim, dias melhores.
A FOLHA agradece sua preferência!


