Dos ganhos e perdas da lei do bafômetro
Se o rigor da lei do bafômetro diminuiu o movimento de bares e cervejarias e também fez cair o consumo de bebida alcoólica em restaurantes, houve ganhos em outros setores, como o comércio de águas e refrigerantes e a utilização de táxis. Estes passaram a baixar tarifas, atendendo a convênios que estão sendo feitos com estabelecimentos do gênero citado. Funcionários que levam para casa o carro do cliente que bebeu também estão requisitados e isto gerou uma nova modalidade de trabalho. Destaca-se que o grau de gravidade de acidentes com veículos caiu substancialmente, de ponta a ponta do Brasil.
O endurecimento da lei que já existia, e portanto não é novidade, mudou hábitos rapidamente, e para melhor. Menos bebida no organismo representa também mais saúde. São apenas 30 dias de vigência e, pelo noticiário, a população do País inteiro está sintonizada na nova ordem. Não faltam os que começam a inventar artifícios para safar-se, mas isto também significa que ninguém está indiferente. Se a norma é mais punidora do que educadora, este é o começo para uma maior conscientização. No caso, o meio justifica o fim, porque os resultados positivos são incontestáveis. Os prontos-socorros e hospitais se aliviaram bastante dos atendimentos a tragédias, por isso médicos traumatologistas e demais atendentes do setor estão aplaudindo o rigor da lei.
Com o uso conjunto de táxis por mais pessoas, imagina-se que também está havendo diminuição do número de veículos particulares em circulação, no horário noturno, isto resultando em menor consumo de combustível e menos poluição sonora e ambiental. Já é um ganho evitar acidentes e a pesada multa de R$ 957,70, mais apreensão da carteira de habilitação, desconto de pontos e a eventual retenção do veículo. As reações contrárias também são muitas, sobretudo dos comerciantes de bebidas, mas é certo que a população no geral está aprovando essa rigidez, pelo que se lê nos jornais.
A queda da seriedade dos acidentes já reduziu substancialmente o custo social, que se é do Governo é por extensão do povo, que paga a conta por via de impostos. Menos lutos, menos mutilações, menos traumas e menos sobrecargas nos hospitais, tudo isso pesa a favor na balança de prejuízos e benefícios. Poucos passaram a condenar a norma, porque o apoio da opinião pública está sendo forte e inibe os renitentes. Só o fato de as famílias saberem que os filhos ficam mais seguros à noite - quanto ao risco de acidentes - já é uma tranquilidade.





