DOS EDITORES
Motos e poluição
A Página do Leitor, deste jornal, tem sido frequentada nos últimos dias por cartas criticando a poluição sonora provocada pelas motocicletas, um problema que é hoje de todas as cidades brasileiras e que vem se intensificando. Enquanto os automóveis vão ficando mais silenciosos, as motos continuam barulhentas, e como o número delas aumenta, a situação já ficou insustentável. Com elas, contribuem os veículos de sistemas mais antigos, os ônibus urbanos e outros veículos pesados.
O problema deve ser solucionado a partir das fábricas, mas há providências que podem ser tomadas pela fiscalização, porque existem formas de diminuir o ruído dos escapamentos, e uma ação mais intensiva do policiamento já se faz necessária. Argumentos de que as cidades cresceram e que há de dar espaço ao progresso, não procedem, porque se houve solução para os automóveis de passeio, que têm igualmente motores possantes e são na maioria silenciosos, deve haver também para as motocicletas.
Tudo é questão de os legisladores e a fiscalização se empenharem, porque mudanças são possíveis, e elas passarão a dar resultado se vierem seguidas da vigilância e da multa para os transgressores. Houve tempos em que ninguém pilotava moto com capacete, mas foi só implantar o rigor do novo Código de Trânsito que, hoje, cem por cento dos motociclistas usam esse sistema protetor. Tal prática já se tornou hábito natural, e com certeza muitas vidas foram poupadas em acidentes.
Legiões de motoqueiros estão vinculadas a empresas e organizações, como os clubes de aficcionados dessas máquinas, as associações de mototáxis e as prestadoras de serviços de entregas. Há que haver uma cruzada de proteção ambiental e de cidadania partindo desses próprios usuários de motos, no sentido de regular os escapes de seus veículos de trabalho, e que a fiscalização comece a agir, de dia e de noite, para impor disciplina e poupar a população desses abusos.
Walmor Macarini





