Arrogância e Copa do Mundo

Após o fim da era romântica no futebol brasileiro, quando se jogava por amor à camisa, e o início do profissionalismo, a relação entre imprensa e técnicos da Seleção Brasileira de futebol foi ficando cada vez pior. O último que mantinha um bom relacionamento com a mída foi Zagallo, o velho lobo especialista em auto-promoção, que sabia aproveitar os espaços concedidos pelos veículos de comunicação. Em 98, Zagallo deixa o cargo e começa o inferno para a imprensa esportiva.
Vanderlei Luxemburgo assume com postura de bom-moço. Mas logo vem à tona vários escandâlos nos quais o técnico estaria envolvido. Muda-se radicalmente o comportamento de Luxemburgo com a imprensa. Ele cai. Entra Emérson Leão, o mesmo que, quando dirigia o Coritiba, chamou um repórter de uma emissora de televisão de ‘‘viado’’, durante entrevista ao vivo após o jogo. Despreparado para o cargo na seleção, caiu.
Por aclamação nacional, a CBF contrata Luiz Felipe Scolari. Não demora muito para a imprensa se decepcionar com o técnico gaúcho. É irritante o seu comportamento nas entrevistas coletivas. Irônico e arrogante, quase sempre não responde às perguntas dos jornalistas, que voltam irritados para as redações, apenas com declarações como ‘‘não falo mais sobre isso’’, ‘‘já falei 116 vezes’’, ‘‘só marca gol contra o Bambala’’. Todos os colegas – e mais os 170 milhões de brasileiros – esperam por respostas objetivas, mas Felipão insiste em seus discursos vagos.
Bom, pelo menos, o título do técnico mais arrogante da Copa do Mundo já é do Brasil.
Rodrigo Lima

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