DOS EDITORES
O jornalista Daniel Pearl, sequestrado e morto no Paquistão, é um a mais na longa lista dos profissionais da imprensa assassinados no exercício da profissão ao longo dos tempos. Segundo o Instituto International de Imprensa (IPI), com sede em Viena, cerca de 50 jornalistas foram assassinados no mundo em 2001, número estável em relação aos anos anteriores.
O país mais perigoso continua sendo a Colômbia, onde 11 assassinatos de jornalistas foram constatados no ano passado, segundo o informe anual do IPI sobre a liberdade de imprensa no mundo. Na Ásia, 16 jornalistas foram mortos, oito deles no Afeganistão, durante a cobertura da guerra contra os talebans. Seis outros foram mortos no Oriente Médio e na África do Norte, dos quais três em território palestino. Na Europa, 11 morreram, e a liberdade de imprensa é ameaçada, nos países em transição. Na África, o Zimbábue é um dos principais motivos de preocupação.
A média de vida dos jornalistas é uma das mais baixas entre os profissionais chamados liberais. Isto decorre, principalmente, dos dados acima: muitos jornalistas assassinados no exercício de sua profissão, em todos os pontos do mundo. São vítimas da vocação, da vontade de buscar a informação no local, independente do perigo que isto represente.
É uma curiosa vocação: o jornalista não quer ser notícia, ele corre atrás da notícia. Mas este afã de oferecer ao leitor a informação mais completa, o enfoque mais atual, muitas vezes torna-o a trágica notícia. Dá tudo, até a vida, pela notícia.
Estelio Feldman - editor





