A notícia da morte da indiazinha Liliane Marcondes, de 11 meses, ocorrida na segunda-feira na reserva do Apucaraninha, em Tamarana, alimentou dois dias de discussões na Redação da Folha. Para muitos jornalistas, o fato de o bebê ter morrido por causa de uma pneumonia agravada pela desnutrição é uma crueldade. Uma das conclusões é a de que, em se tratando de uma reserva indígena onde cerca de dez por cento das crianças sofrem com a desnutrição, o que está ocorrendo é falta de responsabilidade. O problema é identificado pela médica, confirmado pela antropolóloga, analisado pela Funai e amenizado pelo cacique. Na edição de hoje da Folha, o Conselho Tutelar se pronuncia e a Promotoria Pública anuncia que vai apurar a morte de Liliane. Enquanto isso, as crianças continuam desnutridas e correndo sérios riscos. Há um vazio que precisa ser preenchido por todos os personagens dessa tragédia, o da ação efetiva e imediata. Se a Funai e o cacique Moisés têm razão ao afirmar que as crianças não passam fome, acabar com a desnutrição parece muito mais simples. Mas exige que todos os envolvidos se mobilizem imediatamente. Na Redação da Folha, os jornalistas ficam aguardando o dia em que poderão noticiar o fim da desnutrição na Reserva Indígena do Apucaraninha.
Roberto Francisco - Chefe de reportagem

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