DOS EDITORES
Na Folha, o sábado de Carnaval tem um batuque diferente. Ao som dos teclados de computadores acionados freneticamente e da campainha dos telefones, os jornalistas preparam a edição que estará na mão do leitor no domingo nacional da ressaca. A repórter Carolina Avansini confere a entrega da chave de Londrina ao Rei Momo, que custou a incorporar o personagem e atrasou ligeiramente a solenidade. A folia, que começou no País todo na noite anterior, rende notícias e fotos transmitidas ininterruptamente pelas agências nacionais. Carnaval é pausa para a preocupação, mas não para a informação. A movimentação nas estradas requer atenção dos repórteres da área: o feriado está entre os recordistas em acidentes no Estado. Infelizmente, a violência urbana também não abre passagem para a folia. Crimes, assaltos, roubos acontecem em grande número nesses dias. E o jornal não pode brincar em serviço: mostra a alegria que explode nos quatro cantos do País, lado a lado com as velhas mazelas que ignoram a grande festa brasileira. O mundo também não cai no samba, e o noticiário internacional é quente: morre em Londres a princesa Margaret, o Brasil é eliminado na Copa Davis, um líder islâmico é executado por forças de segurança da Argélia. Mas o País respira Carnaval e a vez é do grande espetáculo brasileiro, que rouba a cena nas páginas do jornal.
Ruth Meira
Chefe de Reportagem





