Os relógios nas Redações são sempre ‘‘terroristas’’. Fazem voar as horas conforme se aproxima o final do dia, quando a edição vai chegando ao seu ‘‘dead line’’ – uma expressão incorporada à rotina do jornal e que significa o instante final em que as notícias têm que ser ‘‘fechadas’’. É o prazo fatal, a hora limite. A partir daí, não se admite nenhum minuto mais de tolerância para acrescentar a informação que complementa, trocar a foto por outra mais plástica, esmiuçar o fato que acaba de virar notícia. Aos domingos, quando os jornalistas de plantão fazem a edição que, na prática, abre a semana, o dia começa sempre com uma ponta de desconfiança de que não haverá notícias suficientes para uma edição farta e quente. Afinal, domingo é dia de descanso, em que as autoridades não anunciam medidas nem baixam pacotes, os políticos não revelam novas alianças, o trânsito flui, os consumidores adiam suas queixas, as greves perdem o efeito. Mas basta iniciar a ‘garimpagem’ de notícias para o jornal começar a se desenhar. Um naufrágio com mortes no Amapá, uma bala perdida no Rio, um novo milionário que apostou na loteria, a rodada cheia de gols dos torneios de futebol interregionais, a nova face da crise argentina. E as informações vão desaguando nos terminais de computadores: Romário dá show e comanda a virada do Vasco sobre o São Paulo – com Felipão na arquibancada. Milhares de contribuintes ainda não receberam a devolução do Imposto de Renda, mesmo não tendo caído na malha fina. O governador vai dizer quais as obras prioritárias na reta final de seu mandato. Notícias aos borbotões, que informam, orientam, alertam, entretêm. Uma nova edição, cheia de novidades, que vai acordar o leitor na sonolenta manhã de segunda-feira.

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