Você sonha com o poder? Com a paz mundial? Dias atrás, sonhou que perdeu um ente querido? Ou que obteve a tão ''sonhada'' promoção na empresa? Há anos alvo de estudos, os sonhos são aplicáveis à realidade. Para a psicóloga paulista Madalena Cabral Rehder, positivos ou negativos, os sonhos são necessários. E relembrá-los também.

''Ao encontrar as dinâmicas das energias das polaridades, o ser humano aprende a associar o negativo e o positivo sem sobrecargas emocionais nas ações diárias.''

Qual a importância dos sonhos no dia-a-dia das pessoas?
Os sonhos são importantes porque dão brilho e colorido à vida. Sonhar nos coloca em contato com o que há de mais íntimo e secreto em nosso ser. O sonhador entra em contato com a sua essência divina e se torna o ''dramaturgo'' dos enredos oníricos, desempenha várias funções de papéis, como autor e ator dos personagens de suas cenas, encontra respostas e significados para as ações de vida, torna-se espontâneo e criativo ao mesmo tempo em que integra as descobertas no seu ''Eu'' interno e externo, torna-se mais flexivo em suas relações.

Os sonhos são fruto do acaso? Ou fazem parte de nosso inconsciente?
Os sonhos fazem parte das necessidades fisiológicas e psicológicas da nossa vida. Os estudiosos dos sonhos contemporâneos afirmam que, durante o sono, sonhamos diversas vezes, e os mesmos são breves e curtos. Porém, ao despertar, muitas vezes temos a sensação de que sonhamos o mesmo sonho a noite toda. Na ação do despertar, se as pessoas não são treinadas a registrar ou relatar, são propensas a recordar as cenas oníricas mais significativas, as que têm conotação com os conflitos da vida diária, censuras e medos.

Diz-se, que, quem sonha mais tem a memória mais desenvolvida. É verdade?
Sim, a pessoa que aprende a fixar e a relembrar no estado de vigília dos seus sonhos acaba desenvolvendo o lado lúdico de entrar em relação com o real e o imaginário. Ao entrar em contato com os personagens das cenas oníricas, o indivíduo aprende a se tornar criativo. No papel de dramaturgo de seu próprio sonho, aprende o incrível jogo da tomada do desempenho dos papéis. Ao atuar como protagonista do conteúdo onírico, ele interpreta, vivencia, solta-se e torna-se espontâneo em busca das compreensões e das atitudes de vida. Ao relatar ou redigir as cenas, o protagonista, sonhador, observa as próprias ações, reações, movimentos das relações, o que reflete o espelho da alma.

A quais interpretações devem nos levar, tanto um sonho negativo como um positivo?
No exercício do sonhar e despertar, do dentro e fora, do consciente e do inconsciente, do perceptivo, afetivo emocional e do intelectual, que integra as funções do sensório motor, a pessoa aprende a exercitar a comunicação entre as polaridades da vida. Das imagens positivas aprende a entrar em contato com as imagens negativas, do ruim aprende a contrapor com o bom e assim as correntes das polaridades proporcionam o crescimento pessoal e equilíbrio das ações. Ao encontrar as dinâmicas das energias das polaridades, aprende a associar o negativo e o positivo sem sobrecargas emocionais nas ações diárias.

No paralelo sonho x realidade, qual a real aplicabilidade no dia-a-dia daquilo que sonhamos em uma boa noite de sono?
O bem-estar físico e emocional, a integração da psique, com as descargas emocionais e motoras das ações e reações corporais, que transformam as compreensões das atividades diárias.

Já que sonhar é tão bom, há um segredo para sonharmos mais?
Não. Trata-se de uma das funções vitais do nosso organismo, como beber água, comer e dormir. O que é necessário é o desenvolvimento dos estados de atenção, da percepção, estando consciente dos estados perceptivos, das vivências do dia-a-dia, de considerar os conteúdos oníricos e intuir o caminho da autodescoberta, permitindo-se crescer em busca da integração mente, corpo, relação social e comunitária. Temos que observar o espelho da alma e tomar consciência da grande obra da criação, isto é, o ser humano. E enxergar o melhor que existe em si e nos outros.

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