O esporte brasileiro viu-se envolvido em mais um grave escândalo de doping esta semana. Duas jovens atletas campeãs do ciclismo foram flagradas em exame antidoping pelo uso de EPO, um hormônio sintético que é utilizado para produzir glóbulos vermelhos e ajudar na resistência. Marcia Fernandes, de 23 anos, e Nayara Gomes Ramos, de 19 anos, foram suspensas por dois anos de qualquer competição.
O fato expõe mais uma vez a exigência para que os atletas superem limites e quebrem recordes. E, nessa luta para atingir novos índices, técnicos e atletas são tentados a usar medicações que ajudem a melhorar a performance durante as competições. Por isso, cresce cada vez mais a descrença nos superatletas que destroem recordes considerados impossíveis.
Um outro caso de grande repercussão no País ocorreu no atletismo. Em 2009, os técnicos Jayme Netto e Inaldo Sena foram condenados por estimular que cinco atletas recebessem injeção do hormônio sintético. Isso praticamente acabou com as carreiras de quatro dos envolvidos: Jorge Célio da Rocha Sena, Josiane Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre. Somente Bruno Lins teve forças para retomar a carreira.
Na natação, Rebeca Gusmão transformou-se de grande promessa a um dos mais marcantes episódios de doping no Brasil. Em 2007, Rebeca foi flagrada pelo uso de anabolizantes, perdeu as medalhas conquistadas no Pan-Americano do Rio e, posteriormente, foi banida da natação pelo Tribunal Arbitral do Esporte.
O doping não é primazia de esportistas brasileiros. O uso de substâncias para driblar o controle de dopagem revela o lado sombrio do esporte. Se "especialistas" descobrem fórmulas capazes de "fabricar" superatletas e de tentarem passar incólumes pelos exames, por outro lado, há quem lute para desmascarar os fraudadores.
Mais do que recordes, o que se espera nas competições esportivas é a transparência e a concorrência leal entre os atletas. E a prevenção, como fazem as diversas confederações brasileiras em suas modalidades e a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, é o melhor remédio para evitar que o País passe pelo vexame do doping nas Olimpíadas do Rio em 2016.

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