Passados mais de cinquenta dias do segundo governo de Donald Trump, nada de efetivo para o povo americano, senão a vergonhosa arrogância de seu presidente e a certeza de que a inflação será alta, com possibilidade de escassez de alimentos e comprometimento industrial, devido às sobretaxas de importação de produtos oriundos da China, o maior parceiro comercial dos EUA, e de outros países, especialmente os vizinhos México e Canadá.

Os discursos de Donald Trump encrustados de mentiras, desinformação e ameaças, qualificados por muitos como evidente desequilíbrio mental ou emocional, para outros, como notórias bravatas, colocaram o mundo em alerta e em processo de readequação, visto que suas ações midiáticas e seu elenco bilionário de apoiadores, capitaneada pelo irritante e pernóstico Elon Musk, que deseja atuar como primeiro-ministro, cuja atuação já o fez se indispor com o Secretário de Estado Marco Rubio. Esses discursos mostram que age com sentimento sórdido e vingativo, até porque não poderá se reeleger daqui a quatro anos.

O propósito de Donald Trump era utilizar-se de retórica, de um discurso que pensava que seria convincente, visando manipular as relações com outros países, para submetê-los a seus desejos e desmandos, entretanto, revelou-se um tiro no pé! Invadir o Panamá para retomar o canal e ocupar a Groenlândia a qualquer custo não passaram de arteirices ou embustes, rompantes que o fizeram receber duas contundentes respostas, do Presidente panamenho e da União Europeia, porque a Groenlândia pertence à Dinamarca.

Para os analistas que adoram vasculhar as contas públicas, especialmente a do Brasil, ao se depararem com a situação dos Estados Unidos, concluirão sem pestanejar que o país está falido! A dívida pública interna americana é de trinta e seis trilhões de dólares, 124% do PIB. A dívida externa é de quase vinte e seis trilhões de dólares, próximo de 94% do PIB, ou seja, se somarmos a dívida interna e externa, o total é de sessenta e dois trilhões de dólares, portanto, deve mais que duas vezes o seu PIB, que em 2024 foi de vinte e nove trilhões. O déficit orçamentário foi de 6,4%, enquanto no Brasil foi de 0,4% do PIB.

A inflação americana é outro embuste, dado que para o seu cálculo não entra a variação dos preços de alimentos e energia. Neste caso, a energia inclui a variação do preço do petróleo, porque afirmam serem sazonais. A inflação de 2,9%, em 2024, se fosse corretamente calculada, seria próxima de 4,5% ou mais. É fácil apresentar uma inflação baixa, porém camuflada.

Os Estados Unidos abusam do privilégio de emitir moeda reserva. Sessenta e oito por cento da emissão no mundo é realizada pelos EUA e se destina a garantir a moeda como fundamento das transações comerciais e financeiras, daí o porquê de Trump não desejar que o dólar seja excluído como moeda única de transação, para a compra de ativos, estabilização e para financiar e pagar a sua dívida interna e externa, obtida, na maioria, pela emissão de títulos do tesouro, sendo que isso se transformou numa bola de neve: emite título e vende; após, emite dinheiro para pagar os títulos; depois, emite novos títulos para fazer dinheiro, e assim vai ano após ano, só aumentando.

O atual governo americano iniciou uma guerra comercial sem precedentes e apoia, absurdamente, a Rússia na guerra com a Ucrânia, exigindo um acordo, onde o país invadido, a Ucrânia, entregue um terço do seu território ao invasor, a Rússia. Apoia incondicionalmente Israel na sua sanha assassina e expansionista, admitindo a ocupação de toda a Palestina, e em relação à Faixa de Gaza, já declarou que deseja ocupá-la e transformá-la numa área com imensos resorts, alguns de propriedade dele.

O Brasil faz bem em ficar assistindo de longe à derrocada americana. A União Europeia, o conjunto de vinte e sete países, já é o nosso segundo maior parceiro comercial, atrás da China, portanto, estamos nos ajeitando para viver longe das exigências e condicionantes dos Estados Unidos, até passar essa guerra comercial e esse horrível governo de Donald Trump.

Almir Rodrigues Sudan, graduado em economia, direito e jornalismo

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