''Dona Justa''
Quando o Ministério da Justiça libera novamente cenas de sexo (explícito ou disfarçado) e de nudez para satisfazer as redes de tevê, pergunto-me que função exerce neste sentido, o tal do ministério.
Os poderes constituídos aos ministérios são ou deveriam ser o de exercer vigilância sobre o que é melhor para a população. Por determinação, a minissérie Presença de Anita, programada para as 23 horas pelo forte conteúdo e induções, foi liberada para as 20 horas, e os critérios adotados para a idade mínima do telespectador, creio que não existam.
Há semanas, um vereador londrinense protestou contra as cenas de abuso num espetáculo teatral da cidade, e caso não nos levantemos contra estas barbaridades como as que ele verificou, condenaremos nossos filhos à condição de cidadãos da Sodoma e Gomorra espirituais.
Urge a conscientização de que nossa era trocou a autoridade e a delegação divina aos pais no educar pela gula indigesta dos desejos da mídia televisiva esta sim a grande formadora de opinião e educadora moderna, merecendo maior atenção dos poderes constituídos.
Entrevistas ingênuas ancoradas por belas modelos, trazem à tona muitas vezes entre aplausos e perguntas, a curiosidade, mas também o pior a deterioração dos valores. Estas modelos (com exceções) e nada idiotas trazem na estampa e no estereótipo a meiguice que nós homens e machos desejamos, mas embutidas idem carregam a sordidez e ganância que a velha natureza humana carrega consigo e que pode deteriorar toda a família, contaminando toda a sociedade e o mundo com um efeito mais devastador até que usinas nucleares embora de forma mais lenta e corrosiva.
Outra noite, deixando de lado um pouco a tevê paga, corri os canais abertos. Impressiona da embaixatriz do rebolado loiro (a tal Feiticeira) ao banho da tal Internética, que eleva os índices de audiência, peguei-me peregrino na busca de uma pureza maior de vida e já adulto, no observá-las.
Pensei nos nossos filhos, que sem estrutura adequada e submetidos a toda infestação visual, sonora e auditiva, têm que se submeter à violência que um ministério poderia e deveria diminuir dentro de nossos lares, pelo menos nesta safadeza permitida que não pede nem licença para entrar em nossos lares. A desculpa que arrumam: Não se deve censurar nada...
Oras, tenham paciência, não se trata de censura ditatorial não. Trata-se de perceber que até o símbolo da justiça, a tal da Dona Justa, traz uma venda nos olhos para não ser obrigada a ver as barbaridades que acontecem nas tevês brasileiras.
As filhas da Mãe próxima novela das 7 na volúpia global e a Presença de Anita capitanearão, avalizadas pelo próprio Ministério da Justiça, o retomar da violência autorizada contra a família, sendo que, até o Manoel Carlos autor da minissérie, admitiu que o conteúdo erótico pode chocar o público.
Este país, que aplaude um Hans Donner expondo a mulher que afirma amar, na nudez absoluta, não se pode permitir através do Ministério da Justiça, pelo menos no que se refira aos canais abertos, que importemos tanto lixo através da beleza (sem dúvida) das curvas e formas femininas para palcos diferentes do que os da intimidade que só as quatro paredes e o amor verdadeiro podem proporcionar.
- LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina





