A sensação é incômoda, atrapalha o dia a dia e tem as mais variadas origens. Bem-vindo ao universo da dor. Descrita no dicionário como sensação desagradável resultante de lesão, contusão ou alteração orgânica, a dor é responsável por 70% a 80% das consultas ao sistema de saúde no Brasil.

Em Londrina, as queixas fazem jus aos números. Na pesquisa Qualidade de Vida, aplicada pela UniFil, 78,9% dos londrinenses afirmaram sofrer com a dor e o desconforto, em suas respectivas rotinas.

Na lista de queixas, impossível não se ater a um dos incômodos mais comuns da humanidade: a dor na coluna. Para a fisioterapeuta Ana Rosa Alves Strini, exemplos que engrossam as estatísticas de reclamações não faltam. Sinal dos tempos modernos. ''Atualmente crianças e jovens substituem o exercício físico pela internet, permanecendo por horas em má postura; se alimentam mal e envelhecem sedentárias'', sinaliza a fisioterapeuta.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% da população mundial enfrenta ou vai enfrentar dor na coluna. Em Londrina, 78,9% da população se queixa de dor e desconforto. Por que nunca se reclamou tanto da dor, como nos últimos tempos?
As principais causas de dores na coluna incluem a má postura, o sedentarismo, a obesidade, os traumas (diretos ou em outras regiões, afetando indiretamente a coluna), as alterações das curvaturas da coluna, o envelhecimento, o crescimento acelerado, os distúrbios hereditários (osteoporose, por exemplo), as atividades frequentes como agachar, levantar pesos excessivos, rotações traumáticas, estresse físico e emocional e a depressão. Exemplos não faltam: atualmente crianças e jovens substituem o exercício físico pela internet e permanecem horas em má postura; as pessoas se alimentam mal, incorrendo na obesidade e envelhecem sedentárias, tendo maior probabilidade a sentir dores. O estresse é cumulativo e cada indivíduo tem um limite de tolerância. Quando esse limite é ultrapassado, as pessoas tornam-se sérias candidatas a sentir dores devido à tensão muscular.

Diz-se que o combate à dor é uma questão de qualidade de vida. Mas como manter-se estável, com o físico em dia, em tempos de corre-corre, concorrência nas alturas e prazos?
Já foi comprovado que pessoas que trabalham com dor têm uma produtividade muito menor. Por isso as empresas adotaram a ginástica laboral, aumentando sua produtividade em até 80%. A qualidade de vida deveria ser prioridade para as pessoas. Assim com certeza os prazos e o corre-corre seriam menos exaustivos.

As dores musculares e articulares, além de outras manifestações como a lombalgia desencadeiam o quê se não tratadas?
O mais importante quando temos dor na coluna é procurar um médico para que ele possa fazer o diagnóstico e indicar o tratamento correto. A dor na coluna vertebral pode ser devido a um grande número de fatores e doenças, pois praticamente todas as estruturas da coluna podem causar dor como discos, músculos, ligamentos, nervos e mesmo outras estruturas que não fazem parte da coluna podem causar algumas deformidades. Se as dores não forem tratadas, ficam cada vez mais fortes e restringem as pessoas de suas atividades da vida diária.

Para os ''de repente, atletas'', qual a dica? As pessoas lembram de se aquecer, alongar?
Fazer aquecimento e alongar os músculos são pontos básicos da prática esportiva. O atleta deve sempre começar uma sessão de exercícios com um aquecimento, que é importante para promover uma melhor adaptação do organismo ao esforço. O movimento diminui o risco de lesões, pois aumenta a mobilidade articular, o fluxo sanguíneo para os músculos ativos e a frequência cardíaca que prepara o sistema cardiovascular para a atividade a ser realizada. O alongamento deve ser feito antes e após a realização do exercício e é importante alongar os músculos devidamente, preparando-os para o movimento e ajudando-os a realizar a transição diária da inatividade para a atividade, sem tensões indevidas. Além disso, mantêm a flexibilidade e ajudam a prevenir lesões. O alongamento deve ser mantido de 30 a 60 segundos. Menos que isso é ineficaz.

Nossa cultura está mais para prevenir ou para medicar a dor? Nesse caso, como mudar a realidade e promover uma cultura de prevenção?
Com certeza está mais para medicar, é sempre importante lembrar que a prevenção é o melhor remédio para qualquer doença, e nunca se esquecer que o diagnóstico precoce, o tratamento precoce e a atividade física são fatores que contribuem para a cura das doenças da coluna. A reabilitação consiste em orientações posturais e realização de atividades cotidianas. Essas orientações são formas corretas de realizar atividades e importantes para todas as pessoas, principalmente para as que sentem dor nas costas. Se realizadas corretamente podem ser importantes formas de prevenção.

O exercício físico é a melhor das intervenções? Como inseri-lo no dia a dia?
Reservar uma hora ao dia para uma atividade física não é problema e sim solução. O exercício físico é a principal das intervenções. A dica é colocá-lo em primeiro lugar na agenda, acordando mais cedo. O dia a dia de quem se exercita é comprovadamente mais produtivo.

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