Aos 78 anos, o cardeal dom Geraldo Majella Agnelo é uma das vozes mais respeitadas dentro da Igreja Católica no Brasil. Tendo no currículo alguns anos de trabalho como secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, no Vaticano, além de ter ocupado a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 2003; ele atualmente é arcebispo emérito de Salvador. Até completar 80 anos, pode votar e ser votado em um eventual conclave para eleger um novo papa. Esteve naquele que elegeu Bento 16, em 2005. Ao lado da médica Zilda Arns, morta em 2010 em terremoto no Haiti, fundou a Pastoral da Criança, em Florestópolis (Norte), em 1983.

De íntima ligação com Londrina, onde atuou como arcebispo de 1983 a 1991, o cardeal passa alguns dias na cidade para participar das comemorações dos 25 anos de ordenação sacerdotal do pároco da Catedral Metropolitana, monsenhor Bernard Gafá.

Sereno e sem a preocupação de medir palavras, recebeu a FOLHA para falar sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou o aborto de fetos anencéfalos, o que ele classifica como ''o retrato de uma era em que predomina o egoísmo''; e os rumos da Igreja Católica no País.

Como o senhor avalia o fato de o STF liberar o aborto de fetos anencéfalos?

Eu lamento muito que tenha chegado a este ponto. Mas, por outro lado, vejo que é o retrato de uma era em que predomina o egoísmo. E justamente o egoísmo exacerbado incentiva as pessoas a olharem apenas para si próprias. O mais importante no ser humano é a fraternidade, que não deixa predominar a violência, o choque entre as pessoas. Hoje, por qualquer motivo, há o choque, o conflito, a violência, muitas vezes chegando à eliminação do outro. O egoísmo é a principal causa da violência.


Leia mais na entrevista de Wilhan Santin.

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