Dólar estável e aumento do crédito
Expansão do crédito no comércio, maior demanda de bens de consumo e um cenário totalmente favorável para a estabilidade do câmbio que pode até ceder em favor da moeda nacional (queda do dólar). Como efeito dessas três variáveis, o ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, projeta um quadro totalmente favorável para o desejável crescimento econômico a uma taxa de (inacreditáveis) 4,5% em 2010.
Ao mesmo tempo em fala da expansão no crédito para o comércio Pastore admite aumento das taxas de juros. Ele prevê com segurança o crescimento do setor de serviços.
''Eu mencionei que o setor de serviços está mais próximo do pleno emprego. Se você olhar para a indústria, há um hiato do produto (diferença entre o produto potencial e a produção atual) ainda muito grande. Mas, quando se olha para o PIB como um todo, no qual o setor de serviços é maior que o industrial, o hiato fica um pouco menor. Se ele é um pouco menor, isso significa que ele vai fechar um pouco mais depressa. E o risco é de que se tenha de começar o ajuste de taxa de juros antes do que o mercado julgava''.
Pastore admite, no entanto, que o ano eleitoral pode mascarar essas tendências. ''Suponha que nós podemos crescer 4,5% a 5%, mas o governo resolve crescer 6% para ganhar a eleição. Para crescer 6%, começa a exagerar no gasto público e - isto é puramente hipotético - põe o BC numa camisa de força, na qual ele é impedido de subir a taxa de juros, e deixa a inflação crescer temporariamente. Numa situação dessas, o mercado certamente perceberá que o crescimento é artificial. E o fluxo de capital não entra, e nesse caso deprecia o câmbio e tem inflação. Agora, para evitar o risco de um crescimento (artificial) de 6%, pode-se subir um pouco a taxa de juros, cortar o gasto público, trazer o crescimento de volta para 4,5% evitando o custo inflacionário da depreciação cambial e financiando o déficit na conta corrente sem nenhum problema, com o câmbio de equilíbrio que tiver de ter, explica.
Nessas circunstâncias, que Affonso Celso Pastore considera mais prováveis - porque acha que o governo vai ter juízo - ele acredita que a tendência do câmbio é a de ficar estável. ''Mais para estável do que para pequena valorização'', resume.
As previsões otimistas do ex-presidente do BC somam-se às previsões feitas semanas atrás por economistas de universidades paranaenses, segundo as quais as economias embasadas no agronegócio justificam uma tendência de mais liquidez e crescimento, tendência essa apoiada na expectativa (mundial) de mais consumo - e, portanto, demanda de proteínas animal e vegetal.





