O desempenho ruim da economia brasileira e a perspectiva de que os Estados Unidos retirem os estímulos à sua economia mexeram com o mercado financeiro. Durante este mês, o real é a moeda que apresenta a maior desvalorização no mundo frente ao dólar, com índice de 4,68% (até ontem); desde o início do ano a depreciação é de 14,66%. Apesar de os analistas indicarem que o movimento é global e que de fato há uma tendência de fortalecimento da moeda americana, a economia brasileira sem dúvida sentirá seus
impactos.
Os efeitos aparecerão no aumento da inflação, a partir da alta do preço dos alimentos (o custo do pão francês já acumula alta nas capitais segundo o IBGE, puxado pela cotação do trigo argentino) e dos transportes. Também há impactos nos preços dos pacotes de viagens internacionais e das tarifas aéreas. Outro ponto de preocupação é que aumentará a defasagem entre o preço da gasolina vendida pela Petrobras às refinarias em relação ao mercado internacional, prejudicando ainda mais o resultado da estatal. É um problema real ainda mais considerando que a inflação nos últimos 12 meses está em 6,27%, bem próximo dos 6,5% (teto máximo da meta estipulada pelo Banco Central para este ano).
No entanto, há que se lembrar que o real desvalorizado favorece a balança comercial, beneficia o agronegócio e a indústria. Pode ser um alento a esses setores, principalmente ao industrial que vem registrando sucessivas quedas de produção. Também beneficia a economia interna, por meio da geração de empregos e movimento no comércio varejista.
No entanto, há que se encontrar o ponto de equilíbrio entre uma cotação ideal para as exportações e para o mercado interno. O retorno da inflação deve ser fator de preocupação até porque há uma perspectiva real para esse fato. Além de promover as intervenções diárias para impedir que a cotação do dólar suba ainda mais, o Banco Central e o governo federal devem também acompanhar diariamente os rumos da inflação.

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