DOENÇAS TÍPICAS DOS HOMENS - O 'sexo frágil' sucumbe
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domingo, 23 de novembro de 2003
Daniela Tófoli<br> Agência Estado 
São Paulo - O coração não está dando conta. E o pulmão, o estômago, a pressão já mostram sinais de que alguma nova revolução vai ter de acontecer. A emancipação feminina deu às mulheres a possibilidade de serem independentes, trabalharem fora de casa, beberem, fumarem, mas trouxe junto todas as doenças do universo masculino que antes as atingiam em pequena escala.
Enfarte, derrame, câncer de pulmão e até gastrite atacam cada dia mais mulheres e não é porque elas fazem parte do chamado sexo frágil. Mas nem o mais resistente organismo masculino aguentaria a jornada dupla a que as mulheres são submetidas e as variações hormonais causadas pelas pílulas, pela menopausa ou pela reposição hormonal.
Assim, o risco de uma mulher morrer de enfarte ou de derrame já é muito maior do que o de câncer de mama. Estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre 21 países mostram que, dos 16,5 milhões de pessoas que morrem anualmente por causa de doenças cardiovasculares, mais da metade (8,6 milhões) é formada por mulheres. Nelas, os enfartes e derrames matam o dobro em comparação a todos os tipos de câncer juntos. No ano passado, em São Paulo (capital), 6.679 mulheres morreram de uma das duas doenças cardiovasculares enquanto 1.011 faleceram por câncer de mama.
E os números não são obra do acaso. Hoje as mulheres trabalham mais, continuam cuidando da casa e dos filhos, se desgastam no trânsito, não fazem exercícios físicos regularmente, alimentam-se mal, abusam do sal, do açúcar e da gordura e fumam mais do que os homens. Além de serem mais preocupadas e nervosas por natureza. ''Não sei como elas conseguem dar conta de tudo'', afirma o coordenador do programa de cardiologia do Hospital Albert Einstein e chefe da UTI há 31 anos, Elias Knobel. ''Tenho profunda admiração pelas mulheres, mas infelizmente elas acabaram assumindo os maus hábitos masculinos, como o tabagismo, e se emanciparam também nas doenças cardiovasculares.''
Úlcera e gastrite sempre atingiram mais os homens. Eram eles que sofriam as pressões profissionais e viviam estressados. Hoje, já há o mesmo número de homens e mulheres com essas doenças. ''Nos últimos anos o número de mulheres atingidas vem aumentando porque, apesar de serem doenças bacterianas, o estresse e o cigarro facilitam seu aparecimento e dificultam a cicatrização'', diz o chefe do departamento de endoscopia do Hospital Albert Einstein, Arnaldo Ganc. ''As mulheres assumiram muitas responsabilidades, deixaram de se cuidar e passaram a fumar demais, além de serem mais nervosas'', explica. ''Assim, a gastrite e a úlcera encontraram um ambiente propício para se desenvolverem.''
O mesmo está acontecendo com a diabete tipo 2 (a que se torna mais comum após os 40 anos e que atinge maior número de pessoas). O número de mulheres com a doença se igualou ao de homens e, em algumas capitais, como no Rio de Janeiro, já ultrapassou. Nos Estados Unidos, dos 16 milhões de diabéticos, 60% são mulheres, mostra um estudo do Federal Center of Disease Control and Prevention (CDC).
''A obesidade é o maior fator desencadeante da diabetes e, como o problema vem se tornando uma epidemia mundial, a tendência é que tenhamos ainda mais vítimas da doença'', explica o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, José Egídio Paulo de Oliveira.


