Doenças da pobreza geram internações
''A saúde está diretamente vinculada às condições de habitação e vida, como higiene, alimentação, saneamento básico, enfim, a uma infra-estrutra de dignidade'', diz o pediatra Donizetti Gianberardino, diretor médico do Hospital Pequeno Príncipe responsável por quase 50% dos internamentos hospitalares de crianças pelo Sistema Único de Saúde em Curitiba.
''As pessoas mais pobres acabam sendo mais acometidas pelas chamadas doenças da pobreza, como a diarréia, tuberculose, cólera, hanseníase, hepatite A'', completa o médico. Segundo ele, a estrutura de saneamento básico, condições de moradia e acesso à educação e informação vão refletir no índice de mortalidade infantil.
Pesquisa do hospital com base em dados nacionais do Sistema Único de Saúde (Datasus), colhidos entre outubro de 2001 e setembro de 2002, mostram que as chamadas ''doenças da pobreza'' são as causas mais frequentes de internações e mortes de crianças e adolescentes (entre 0 e 19 anos) pelo SUS. As doenças do aparelho respiratório são as principais causas de internação. No Paraná, representam 31,5% das internações, na Região Metropolitana de Curitiba 20% e na Capital 15%. A situação é ainda mais grave, uma vez que em média 70% dos casos são de crianças entre 0 e 4 anos.





