A primeira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada em dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou que 39,3% dos brasileiros adultos, com 18 anos ou mais, foram diagnosticados com pelo menos uma das 11 doenças crônicas não transmissíveis investigadas. Na prática, significa que todas essas pessoas sofrem no Brasil com câncer, depressão, colesterol alto, diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), asma, insuficiência renal, problemas de coluna e problemas osteomoleculares, muitos deles com mais de uma enfermidade associada. A pesquisa revela que, somadas, essas doenças são responsáveis por mais de 70% das mortes no país.
Os números são alarmantes. As explicações, no entanto, estão nos hábitos de vida de parte da população, detectados pelo próprio estudo do IBGE. Entre os adultos, por exemplo, 24% dos entrevistados afirmaram consumir bebida alcoólica pelo menos uma vez por semana. No ano de 2013, 12,7% afirmaram ser fumantes diários e 17,5% declararam-se ex-fumantes. Além disso, 46% dos adultos pesquisados não costumavam praticar atividades físicas em nível considerado satisfatório no lazer, no trabalho ou em casa.
No que se refere ao consumo de frutas e hortaliças, 37,3% da população disse seguir a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e consumir pelo menos 400 gramas desses alimentos diariamente. Por outro lado, 37,2% dos brasileiros adultos admitiram consumir carne vermelha ou frango com excesso de gordura.
O conjunto de resultados expõe um quadro preocupante. Sedentários e com maus hábitos alimentares, os brasileiros caminham cada vez mais para a obesidade e todas as outras doenças crônicas associadas, entre outros fatores, à falta de atividades físicas e baixo consumo de frutas, verduras, cereais e oleaginosas e abuso de alimentos industrializados ricos em calorias, sódio, gordura e açúcar.
Soma-se a isso a cultura ainda presente em nosso país, de procurar serviços de saúde apenas quando os sintomas das doenças já são aparentes, ao invés de investir na medicina preventiva baseada na redução de fatores de risco para as doenças. Esse tipo de cuidado depende do estímulo à educação em relação à saúde, com incentivo de hábitos saudáveis, e também da detecção precoce de doenças, o que é possível através de consultas regulares ao médico e da realização de exames clínicos e de imagem.
Check-ups periódicos podem incluir exames de sangue e também ultrassonografia, mamografia, densitometria, ressonância e tomografia computadorizada. O objetivo é identificar precocemente algumas doenças crônicas e tratá-las no início, quando são maiores as chances de manter a qualidade de vida dos pacientes.
Graças ao rápido desenvolvimento das tecnologias, a medicina caminha cada vez mais para assumir maior caráter preventivo, focada na detecção precoce das doenças e garantia de uma vida saudável a todos. Ações educativas, entretanto, são fundamentais para criar a cultura dos bons hábitos, o que inclui alimentação saudável, lazer, atividades físicas e a consulta regular ao médico.

DÉCIO PRANDO MOURA é médico radiologista em Londrina



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