Considerada uma das mais graves doenças emergentes, a Síndrome Metabólica tem tomado as atenções. Os motivos? Nada animadores: estima-se que a SM atinja 27,16% dos adolescentes brasileiros.

Caracterizada por um quadro que congrega pressão arterial elevada, dislipemia (índices alterados de colesterol e triglicérides), resistência à produção de insulina e aumento da gordura corporal, a SM é fruto de hábitos alimentares inadequados, como o abuso de fast food, e sedentarismo.

Doutora em Nutrição pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) da instituição, Ana Dâmaso cita recente estudo realizado no Brasil e na Itália que atestou: quanto menor a renda, piores os hábitos alimentares e maior a incidência da síndrome.

''Isso se deve em parte às diferentes condições socioeconômicas e educacionais entre os dois países, o que reflete também as escolhas alimentares e os hábitos de praticar ou não exercícios físicos'', afirma.

Podemos dizer que a Síndrome Metabólica é a doença dos tempos modernos?
Sim. Apesar do fato de a síndrome ter sido descrita na comunidade científica apenas em 1995, seus fatores de risco apresentam-se amplamente associados ao desenvolvimento de outras doenças crônicas degenerativas, como o diabetes, a obesidade central/visceral, a hipertensão e as doenças cardiovasculares.

A quais fatores podemos atribuir a incidência da SM?
A alta prevalência apresenta-se relacionada principalmente ao estilo de vida inadequado da sociedade moderna. Desse modo, o excesso de ingestão de gorduras e carboidratos, assim como a falta de exercício regular e sistematizado, são fortes fatores desencadeantes.

Diz-se que a síndrome é considerada uma das mais graves doenças emergentes. Qual a faixa etária mais atingida?
A Síndrome Metabólica atinge todas as idades e populações distintas. Nesse sentido, verificamos recentemente que aproximadamente 30% dos adolescentes obesos sofrem dessa doença. No mesmo estudo, observamos que o tratamento interdisciplinar com atendimento clínico, psicológico, nutricional e físico, desenvolvido pelo Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (Cepe), ambos da Unifesp, foi efetivo em reduzir a prevalência desta doença para 8%, podendo então este tipo de tratamento ser viabilizado em serviços públicos de atenção à saúde da comunidade.

A prevenção passa pela antecipação?
Sem dúvidas. Quanto mais precoces forem os cuidados com a alimentação assim como a prática de exercícios na rotina diária em casa e nas escolas, melhor será a prevenção.

O descuido com a alimentação é uma característica de todas as classes sociais?
Sim. A população mais carente aumenta o consumo de carboidratos, por serem mais baratos, como arroz, batatas e pães; enquanto a população mais rica excede o consumo de alimentos do tipo fast food e alimentos industrializados, muitas vezes, ricos em gorduras trans e saturadas, que aumentam as chances das doenças crônicas, como o diabetes, dislipidemias (excesso de colesterol), obesidade central e hipertensão, todas relacionadas à sindrome.

Consumir cálcio e praticar exercícios traz resultados positivos?
Acredita-se que o exercício regular, praticado pelo menos três vezes por semana, uma hora por dia, durante longos períodos no decorrer da vida, é capaz de reduzir substancialmente os riscos diversos para o desenvolvimento de várias doenças crônicas, inclusive a SM. Em relação ao consumo de cálcio, existem evidências recentes, que necessitam de mais estudos controlados para sua confirmação.

Por que a prevalência da SM é maior em países como o Brasil?
Em um estudo publicado pelo nosso grupo de pesquisa, comparando a prevalência de SM em adolescentes brasileiros e italianos, verificou-se que o Brasil apresenta maior prevalência. Isso se deve em parte às diferentes condições socioeconômicas e educacionais entre os dois países, o que reflete também nas escolhas alimentares e nos hábitos de praticar ou não exercícios físicos.

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