Há duas décadas, a Aids começacava a chamar a atenção do mundo, surgindo como uma misteriosa infecção que atingia homossexuais masculinos. Tal qual uma epidemia, no entanto, alastrou-se rapidamente e hoje alcança tanto homens heterossexuais, quanto mulheres que, em 2002, segundo dados da ONU/Unaids (segmento da Organização das Nações Unidas relacionada à Aids), representarão 50% dos infectados pelo vírus em todo o planeta.
No Brasil, de acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, a tendência se repete. Dados coletados de julho a setembro de 2001 revelam que houve uma diminuição da incidência da doença entre homo e bissexuais, de 27,7% para 23,4%,, e um aumento entre heterossexuais, de 27,4% para 32,3%.
Em função dessa mudança de perfil, ''hoje não se trabalha mais com a idéia de grupos de risco, em relação à Aids, e sim com práticas de risco'', afirma Roni Lima, coordenador-geral da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia). Uma dessas práticas é o compartilhamento de seringas entre usuários de drogas injetáveis. O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, relativo a 2001, aponta a tendência, registrando um aumento da incidência da doença, por conta desse comportamento, de 18,1% para 20,6%.
Apesar de tanta divulgação sobre os riscos generalizados de se contrair a doença, ''a Aids ainda é uma epidemia invisível para os olhos da comunidade'', comenta Roni. Por isso, sorrateiramente, continua sua caminhada letal, tendo se direcionado, nos últimos 6 anos, de forma mais acentuada ''para as cidades do interior, para a pobreza e para as mulheres''.
Em Londrina, de acordo com a Coordenação de DST/Aids do Serviço Municipal de Saúde, desde 1984, quando foi identificado a primeira pessoa um homem contaminado por Aids, até junho deste ano, registraram-se 1.157 casos na cidade, sendo 769 do sexo masculino (66,5%) e 388 do feminino (33,5%).
Se a análise, contudo, for feita em termos de coeficiente de incidência (número de casos por 100 mil habitantes), a proporção se altera. Entre 1992 e 2001, era de 3,9 casos masculinos para 1,3 femininos. Em 2001, para cada caso entre mulheres ocorreu 1,7 entre homens, e a tendência é de que essa relação chegue a um por um, como já vem acontecendo em outros municípios brasileiros.

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