DOCE NOVEMBRO - Dia da Consciência Negra será o terceiro feriado no mês
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
ENTREVISTA
Humberto Sesso Economista
Professor da UEL
O brasileiro está prestes a ganhar mais um feriado. O presidente Lula deve sancionar hoje a lei que institui o feriado relativo ao Dia da Consciência Negra. Com isso, o mês de novembro passa a ser o com o maior número deles: dia 2 (Finados), dia 15 (Proclamação da República) e dia 20. Dependendo do calendário, corre-se o risco de termos praticamente uma semana de folga.
Para quem está cansado, ainda mais levando-se em consideração o final do ano, um dia a mais de descanso cai muito bem. Mas quem não gosta muito dessa história são os empresários e comerciantes. Segundo a Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), estima-se que cada dia que a cidade fica parada perde-se R$ 19 milhões, considerando-se todos os setores.
Há quem diga que o Brasil tem muitos feriados - 11 nacionais, mas em comparação com outros países, não somos os campeões. Nossos vizinhos argentinos têm 13, os portugueses 14 e para espanto de muitos, o Japão conta com 16. O problema, segundo Humberto Sesso, doutor em Economia e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é que os brasileiros ''emendam'' os dias de folga, enquanto em outros países muitas vezes os feriados são ''puxados'' para uma segunda ou sexta-feira.
Como economista, qual sua avaliação sobre mais um feriado?
Um feriado não implica na diminuição da produção, há uma diminuição apenas naquele dia e talvez nesse mês o PIB (Produto Interno Bruto) possa ficar menor. Mas o que vai ocorrer é uma realocação do consumo. A pessoa vai de ônibus para o trabalho, come no restaurante por quilo no centro da cidade. Em vez disso ela vai comer em casa, provavelmente vai comprar mais no supermercado, ela vai ficar em casa a maior parte do tempo, vai gastar mais energia elétrica, então não implica em diminuição no consumo.
A produção de carros tem que ser mantida, tem que atender a demanda. Se você não trabalhar naquele dia, tem que trabalhar em outro. No caso da educação tem-se que cumprir o número de dias letivos, então em algum dia aquela aula terá que ser reposta. É claro que se houver muito feriado no mesmo mês, pode atrapalhar a produção naquele mês.
O fato de em novembro as pessoas já começarem a se preparar para o Natal pode fazer com que o comércio seja prejudicado com tantos feriados?
O comércio naquele período vai ficar prejudicado, porque vai deixar de vender, mas deve se recuperar em dezembro. Eu acho que o maior problema na verdade é para a indústria, que está tentando aumentar a produção em novembro para fazer estoque para dezembro. Terá um ponto no tempo que vai ser prejudicado porque, dependendo do dia do feriado, vai atrapalhar as previsões de estoque para dezembro.
Fazendo as contas, nós teremos um feriado no dia 15 e outro no dia 20. Se o dia 15 cair numa quinta-feira, o dia 20 cairá numa terça. Corremos o risco de ter um feriadão de praticamente uma semana. Isso será bem complicado, não é?
O que vai ocorrer é que as pessoas vão antecipar algumas compras, pensar o que vão fazer no feriado. Provavelmente muita gente vai viajar, vai aumentar o gasto no posto de combustível, com passagem de ônibus ou avião. Alguns setores perdem, como o varejo, mas o turismo vai ganhar com isso, porque com certeza as pessoas vão viajar, vai estar calor, todo mundo vai para a praia.
Então de uma forma geral a economia vai acabar compensando. Perde-se de um lado, mas ganha-se em outro.
Exatamente, acredito que o setor de turismo, por exemplo, vai ganhar muito com isso. Acredito que os shoppings também vão ganhar um pouco. As pessoas que não têm opção de viagem vão para os shoppings. As pessoas da região também podem acabar vindo para cá e consumindo nos nossos shoppings.
O senhor acha que o Brasil, em comparação com outros países, tem muitos feriados?
A gente não tem tantos feriados como em outros países. O que acontece em outros países é que em muitos casos eles juntam os feriados. Por exemplo, se o feriado é na terça, eles fazem na segunda, para não emendar. Se tem dois feriados no mês, eles fazem sábado, domingo, segunda e terça, por exemplo. O dia de descanso muda, o que não se faz no Brasil. Aqui o maior problema é que as pessoas emendam o feriado, principalmente as escolas.
É viável as indústrias funcionarem apesar do feriado?
Acho que não compensa. Compensa fazer a pessoa trabalhar mais rápido para cumprir metas em outro ponto do tempo. Acho que é isso que vai acontecer. Se em dezembro ele produzir um pouquinho mais, que seja 2% ao dia, ele já compensa.


