O primeiro trimestre do ano terminou com uma boa notícia aos paranaenses. O número de transplantes de órgãos no Estado cresceu 31% no período com relação aos três primeiros meses do ano anterior. Foram realizados 116 procedimentos contra 88 registrados em 2014. É o maior número obtido desde a criação da Central Estadual de Transplantes, há 20 anos. Apesar dos números positivos, a lista de espera por um novo órgão continua grande. Mais de 2,1 mil aguardam na fila.
De acordo com o Sistema Estadual de Transplantes, o resultado é atribuído a uma série de fatores como reavaliação e aperfeiçoamento do sistema de captação, capacitação e treinamento dos profissionais e aprimoramento da logística. Importante ressaltar que a doação e a alocação de órgãos é um processo trabalhoso e delicado que depende do crédito da população no sistema e do comprometimento dos profissionais de saúde no diagnóstico de morte encefálica. É um assunto ainda tabu entre a população e, por isso, poucas pessoas conversam abertamente o que dificulta a decisão da doação em caso de morte encefálica.
E, nesse ponto, o treinamento dos profissionais e a estruturação da rede de captação de órgãos é fundamental para todo o processo. A reversão dos números indica uma significativa melhora, mas é importante que a curva continue ascendente. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos a taxa de não autorização das famílias é considerada alta, está em torno de 46%. No entanto, a meta da entidade é reduzir dois pontos percentuais por ano até atingir 30%.
O índice é bastante factível, mas requer trabalho intenso. O Brasil é o segundo país que mais realiza transplantes de rim no mundo em números absolutos; o campeão são os Estados Unidos. A diferença é bastante significativa: são 5.433 procedimentos contra 18.005. Não se pode esmorecer. No entanto, além do trabalho dos profissionais, é preciso o desenvolvimento de campanhas de conscientização da população. As pessoas precisam estar bem informadas sobre o assunto.

mockup