A conscientização e o desejo de ajudar o próximo são alguns dos sentimentos que podem ajudar a reduzir o número de pacientes que aguardam um transplante. Reportagem de ontem desta FOLHA descreve a luta diária de pessoas que aguardam há anos por um órgão. São relatos de esperança e fé, mas também de angústia e desespero.
A doação de órgãos no Brasil é regida pela lei 9.434/97 e tem como uma das principais diretrizes a gratuidade da doação, além do repúdio e o combate ao comércio de órgãos. A legislação também aborda garantias e direitos dos pacientes que necessitam desses procedimentos. De modo geral o programa funciona bem e, segundo o Ministério da Saúde (MS), é um dos maiores do gênero do mundo e cerca de 90% dos procedimentos são custeados pelo Sistema Único de Saúde.
Além disso, a quantidade de transplantes vem crescendo anualmente. Dados do MS apontam que em 2003 foram feitos 12.722 procedimentos; no ano passado esse número saltou para 24.473. É uma grande evolução, mas o programa ainda tem que crescer mais. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, até 2017 a meta é atingir 20 doares por milhão de pessoas (pmp). O primeiro semestre deste ano foi fechado com 13,5 por pmp.
Este dado está dentro do objetivo previsto para 2013, mas ainda há muito trabalho a ser feito.
O aumento de potenciais doadores só será possível a partir da conscientização da população e da capacitação de profissionais. Campanhas com esse intuito devem ser desenvolvidas a fim de esclarecer a relevância e acabar com mitos e tabus sobre a doação de órgãos. Pessoas que têm esse desejo devem expressar isso em vida e reforçar a intenção junto aos familiares. Também é fundamental o trabalho desenvolvido pela equipe multiprofissional na abordagem para a captação de órgãos. É preciso investimentos na formação e capacitação desses profissionais. Se o programa já apresenta bom funcionamento é necessário concentrar os esforços para chegar à excelência e atingir todas as metas propostas.

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