Doação de órgãos
Os brasileiros são conhecidos por ser um povo solidário. A população costuma se mobilizar para ajudar vítimas de desastres naturais, famílias que estão passando por necessidades pontuais e até mesmo pessoas que precisam da doação de órgãos. Nos últimos anos, o País registrou importantes avanços na doação de órgãos e tecidos, mas está longe de cumprir a meta estipulada pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Em 2014, o objetivo era atingir uma taxa de 15 por milhão de pessoas, mas o número ficou em 14,2 por milhão.
Até 2017, a expectativa é atingir 20 doadores por milhão, número que parece distante ainda mais se for considerado que no primeiro trimestre deste ano foi registrada queda de 1,4% na notificação de potenciais doadores e 0,8% em doadores efetivos. Nesse período caiu o número de procedimentos de rim, fígado, coração e pâncreas; somente as cirurgias de pulmão aumentaram. É importante que a população volte a se mobilizar e que também seja conscientizada. As campanhas de educação não podem ser interrompidas, mitos devem ser esclarecidos até para que esse índice não continue em tendência de queda.
Outro problema enfrentado é quando há a compatibilidade mas os serviços de saúde não conseguem localizar o receptor. Reportagem de hoje aborda essa questão. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná afirma que pelo menos 10% dos doadores paranaenses de medula óssea compatíveis são descartados devido à falta de atualização dos dados. O índice nacional é superior a 30%. Nesse caso, deveria ser do interesse dos pacientes que aguardam um órgão que o seu cadastro esteja atualizado até mesmo porque a probabilidade de um paciente que necessita de um transplante de medula óssea encontrar um receptor compatível pode chegar a 1 em 1 milhão.
Além disso, é fator corrente que é preciso capacitar as equipes de saúde para melhor abordagem das famílias de potenciais doadores. Há grandes distorções por Estado e é preciso corrigir isso. Esses profissionais serão formadores de opinião dentro de hospitais, na sua família e nos bairros e devem ter as respostas corretas a partir de informações seguras e detalhadas. Além disso, o assunto deveria ser abordado nas faculdades de saúde. A partir do envolvimento de todos é que a meta poderá ser atingida.





