Doação de órgãos
O aumento do número de transplantes de órgãos e tecidos realizados no Paraná neste ano é digno de elogios. Indica que houve uma melhora efetiva na captação de órgãos e tecidos para doação, um empenho para a realização de cirurgias e uma maior conscientização da população. Reportagem publicada ontem nesta FOLHA mostrou que até setembro deste ano foram realizados 1.091 procedimentos, número 41,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2010. A quantidade é pouco maior do que o total atingido durante todo o ano passado, quando foram realizadas 1.010 cirurgias desse tipo.
Apesar do efetivo avanço, o Paraná ainda tem um longo caminho a percorrer. O Estado, que tem um dos maiores índices de desenvolvimento do País, ainda ocupa a sétima posição no ranking que acompanha o número de transplantes de órgãos e tecidos. Santa Catarina lidera a lista com uma média de captação de 27 órgãos por 1 milhão de habitantes. A média paranaense é de 10 por 1 milhão. Para chegar ao patamar pleiteado, uma vez que a meta é ocupar uma das três primeiras posições já em 2012, será preciso no mínimo dobrar a captação.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil desenvolve um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. São mais de 540 estabelecimentos e 1,3 mil equipes médicas autorizadas a realizar procedimentos. Além disso, a política nacional está fundamentada em duas legislações (9.434/1997 e 10.211/2011) que, entre outros itens, tem como diretriz a gratuidade da doação e estabelece garantias e direitos aos pacientes que necessitam destes procedimentos, além de regular a rede assistencial.
A doação de órgãos e tecidos tem sido tema recorrente de campanhas e deve ser constantemente incentivada. Agora para ser um doador não é mais necessário portar qualquer tipo de documento. Basta que a família esteja ciente da sua vontade. É preciso que a população se livre de todo o tipo de preconceito e que esqueça definitivamente todas as lendas urbanas que rondam o tema. A partir do crescimento do programa, da constatação da seriedade com que o assunto é tratado e de sua importância para salvar vidas a tendência é que a população passe a colaborar mais. É preciso desmistificar de vez a doação de órgãos no Brasil.





