DO RIO DE JANEIRO PARA LONDRINA - Cufa instala-se na cidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
O diretor da Central Única de Favelas em Londrina (Cufa), Júlio Santana, fala à FOLHA sobre a instalação da entidade na cidade. A Cufa surgiu no Rio de Janeiro em 1998 e funciona como um pólo de produção cultural. O objetivo é formar e informar os jovens das comunidades carentes oferecendo perspectivas de inclusão, com atividades de lazer, esportes, cultura e cidadania. Os iniciadores da Cufa foram Celso Athayde e MV Bill, que obteve destaque musical participando de clipes polêmicos que mostram como é a vida na favela. ''Nossa filosofia é ouvir a comunidade. Os projetos são desenvolvidos a partir do que eles desejam'', explica Santana.
Qual a proposta da Cufa para Londrina?
Unir ONGs para articular melhor o trabalho que elas desenvolvem e facilitar a entrada nas comunidades. Queremos também a participação das instituições de ensino, que podem suprir muitas necessidades da comunidade por meio do estágio dos estudantes. Vamos trabalhar na sensibilização da comunidade e na reivindicação de direitos. Em Londrina está tudo pronto em termos de infra-estrutura, colégios, quadras, postos de saúde, ONGs. Precisamos somente articular o trabalho para melhorar o atendimento. Acredito que nos unindo podemos realizar um número maior de projetos.
Como sensibilizar a comunidade?
O primeiro passo é estar dentro da comunidade, o envolvimento deles é primordial, as idéias precisam vir deles. Eles vão perceber que é uma pessoa que está pedindo autorização e respeito de todos, por isso acredito que vão ouvir e também falar, contar o que precisam. A Cufa trabalha ouvindo a idéia da comunidade e dando resposta. Se não houver ONGs que possam oferecer o que a comunidade precisa, a própria Cufa monta o projeto utilizando pessoas da própria comunidade, o que acaba dando mais credibilidade.
O trabalho já começou?
Tivemos a primeira reunião dia 7 de maio na ONG Casa de Hip Hop, porque querendo ou não o hip hop é o alicerçe da Cufa. Eles têm o poder de conversar com a comunidade, inclusive com alguns membros da comunidade que estão presos. Vamos começar pelos bairros da zona leste, que são bastante carentes em vários aspectos, mas pretendemos ter projetos em todos os bairros da cidade. E também trabalhar para que as escolas abram as portas para que se desenvolvam projetos nos finais de semana.
Quem participou da reunião?
O pessoal do Hip Hop e a Rede da Cidadania. A Rede da Cidadania está bem focada, mas não consegue desenvolver os projetos porque a comunidade não dá ouvidos ao que eles têm para oferecer. É uma cultura da comunidade achar que quem vem de fora está oferecendo esmola. Existe uma certa resistência.
De onde virão as verbas?
Aqui por enquanto não temos verbas. Vou precisar do apoio e do envolvimento de toda a comunidade londrinense para que possamos fazer alguma coisa. Estou tendo uma recepção muito boa por parte dos empresários. A cidade está pronta para fazer acontecer. O que está faltando é um pouco de articulação.
Existe uma diretoria em Londrina?
Preferi ficar junto com Curitiba, onde a Cufa já existe há bastante tempo, que tem muita experiência e uma equipe de seis pessoas. Vamos aproveitar o suporte e a experiência deles para desenvolver o trabalho na cidade, mas também vamos utilizar os membros da comunidade.
Quando acredita que o trabalho será mais visível para a sociedade?
O ano passado foi de trabalho intenso na busca por fazer os membros da comunidade nos ouvirem. Tivemos essa primeira reunião e até outubro pretendemos fazer o basquete. Também iremos tentar participar do concurso de curtas-metragens realizado pela Cufa do Rio.


