Na era regida pela internet, pelo capitalismo e por uma sociedade a cada dia mais voltada à sua redoma, há aquelas pessoas que se dispõem a ajudar, sem ganhar por isso. Este é o caso da voluntária Vera, que, a exemplo de outros 26 londrinenses, compõe os quadros do CVV Londrina. Em entrevista à FOLHA, Vera, que prefere ser identificada somente pelo primeiro nome, salienta que, em seus 17 anos de voluntariado, só teve alegrias. ''Em 27 anos de história, o CVV já chegou a ter 50 voluntários. Acredito que o que falte, de fato, seja mais divulgação''.

De onde veio a ''vocação''?
Entrei para conhecer o trabalho e me identifiquei com a proposta do CVV. Foi um caminho sem volta, pois você trabalha com pessoas, ouve pessoas e, ao saber que está ajudando, quer continuar. Temos, entre os voluntários, de médicos a donas de casa que se envolvem com a causa.

Atualmente, há muitos voluntários?
O CVV conta com 27. Em recente curso para voluntários, de uma semana, foram apenas cinco os candidatos inscritos. Já tivemos épocas em que contávamos com 40, 50 voluntários.

A população está mais egoísta, voltada para si?
Falta divulgação. Os próprios voluntários, como eu, têm de abdicar de uma parcela de seu tempo e já trabalham, têm família, filhos. Cada vez que temos a oportunidade de divulgar, a resposta no recrutamento é interessante.

Pelo atendimento se mede o grau de problemas das pessoas. Há muita demanda?
Em média, 600 ligações ao mês. O telefone funciona 24 horas. O atendimento pessoal, por sua vez, funciona das 8h às 18h. Nesse caso, a pessoa liga e fala que vem. Não há uma média de tempo para esse tipo de atendimento ao vivo, mas, geralmente, dura cerca de uma hora.

Ao telefone, quais os tipos de abordagem?
Há aquele que liga e desliga, aquele que liga e fica em silêncio. Geralmente as pessoas querem desabafar. Até crianças e adolescentes já nos ligaram. Mas os adultos lideram, disparado. Dificuldades de relacionamento, separação entre casais e perdas são as maiores queixas. Lidamos com todo tipo de problemas.

Qual a postura do voluntário, diante dos problemas relatados?
Procuramos nunca dizer como a pessoa deve agir. Não há direcionamento de pensamento. Ressalto também que não temos vínculo com nenhuma instituição religiosa. Somos ecumênicos. Nossa postura é ouvir o desabafo, escutar e deixar a pessoa pensar numa atitude ou numa saída para seu problema. Toda nossa filosofia é baseada no terapeuta Carl Rogers, que aposta na não diretividade. Não fazemos terapia, somos como um pronto-socorro de apoio emocional. Só a pessoa sabe o que é melhor para ela.

Vocês têm o espaço para o atendimento disponibilizado pela prefeitura. Agora, como se mantêm?
Literalmente pomos a mão na massa. Seja vendendo pizzas ou rifas. Quem pode contribui com determinada quantia.

Tem idéia de quantos atendimentos já prestou?
Pois é, essa é uma pergunta que sempre me faço. Não tenho idéia de quantas pessoas já atendi, mas costumo dizer que, se nessa minha trajetória, já ajudei uma pessoa, me considero satisfeita.

Que lições o CVV trouxe a você?
O CVV foi uma escola em minha vida. Passei a aceitar mais o outro, aprendi a entender o outro, colocando-me no lugar dele. Na sociedade em que estamos, acredito que se todos se dedicassem ao menos ao curso de voluntário, já seria um grande ganho, pois essa filosofia é levada para a vida. Isso é muito evidente.

Serviço
O CVV Londrina atende na Rua Bahia, 153; ou pelos telefones 141 ou (43) 3356-411. Para quem quiser participar do curso, os telefones são os mesmos. A idade mínima é 18 anos.

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