Do necessário ao impossível
``Primeiro, faremos o necessário. Depois, o possível. E, terceiro, vamos descobrir que estamos fazendo o impossível``. Com palavras franciscanas, o vice-presidente eleito do País, José Alencar, deu ontem a medida do `cronograma de trabalho` do novo governo que comandará o País a partir de 2003.
A agenda de prioridades para os próximos quatro anos, listada pelos futuros governantes, é carregada. A fome é emergencial, por motivos óbvios; o ajuste fiscal é inadiável para derrubar os juros; a reforma da Previdência é vital porque, como está, corrói o caixa federal e arma uma bomba-relógio para o futuro próximo; a reforma tributária não pode mais esperar, para devolver ao País as condições de crescimento econômico e criação de empregos.
São desafios que exigirão do novo governo, além de competência, pressa. O jornal francês Le Monde diz, em sua edição de ontem, que o dilema de Lula será encontrar um meio termo entre o liberalismo e o socialismo, uma terceira via que concilie economia de mercado com ideais de justiça social.
Talvez um caminho para essa combinação de desenvolvimento com humanismo esteja no pacto social proposto por Lula e companhia, que acenam com ampla discussão das grandes questões nacionais em busca de acordos que permitam ao País crescer sendo mais justo, ao mesmo tempo.
De qualquer modo, a equipe de Lula terá que fazer o `necessário`, como diz o vice eleito, com extrema agilidade porque as demandas da sociedade brasileiras são muitas e crônicas. O `possível` também não poderá tardar, sob risco de frustrar expectativas de 170 milhões de cidadãos que adquiriram, com a vitória petista, o direito de cobrar a promessa de construção de um novo País. Só o `impossível` pode ficar para depois, quando a lista de urgências urgentíssimas estiver razoavelmente cumprida.
Ruth Meira





