Há uma euforia no Brasil em função do ciclo positivo da economia, embora os sinais graves da inflação, combatida cautelarmente pelo Banco Central justamente para evitar que se dissipe o aquecimento. Os jornais destacaram um detalhe curioso: o emprego estaria crescendo na faixa acima dos 50 anos. O IBGE sintetiza o fenômeno com a observação de que a ocupação no topo da pirâmide etária é a que mais aumenta.
Também esta FOLHA, na edição de ontem, mostrou que o mínimo valorizado melhora o standard de vida dos idosos. Com isso deixam também de representar mais um peso no orçamento familiar. Essas observações decorrem da pesquisa ''Envelhecimento, Bem-Estar e Desenvolvimento: Um Estudo Comparativo do Brasil e da África do Sul'' feita por universidades brasileira (UFRJ), de Norfolk (Estados Unidos) e de Rhodes (África do Sul).
Como se observa há um consenso entre instituições de pesquisas na avaliação do que ocorre num país (no Brasil elas se deram nas zonas rural e urbana do Rio e Ilhéus, Bahia com pessoas acima de 60 anos) com economia, já revelando algumas quedas, mas ainda em inegável processo de aquecimento como se viu no feriadão com o volume de compras e viagens, incluindo o exterior.
O momento atual, ao menos em termos de PIB, não se compara com a fase mais auspiciosa do regime militar, quando tivemos registros anuais de 8% a 10%, mas ele surpreende por mexer na estruturação de classes socioeconômicas com a escalada das classes D e E, até então postas à margem do consumo. Dá para lembrar que os primeiros feitos do Plano Real se deram para os excluídos na aquisição de frango e do iugurte e que hoje se firmam em outros patamares que são visíveis na posse do celular e até no sorriso dos jovens das classes populares com acesso aos tratamentos ortodônticos de correção dentária de última geração como rotina.
Pena que nesse entretempo não conseguimos reduzido os gastos públicos e as dimensões do Estado e avançado um pouco mais na educação.

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