O Rio de Janeiro ficou com Istambul, Havana e Leipzig entre as cidades rejeitadas para sediar a Olimpíada de 2012. Ficaram na lista Paris, Londres, Madri, Moscou e Nova York. A próxima jornada olímpica será em Atenas berço milenar dessa grande maratona e a seguinte em Pequim. Se o Brasil desejar habilitar-se novamente, só em 2016. O argumento para a recusa da metrópole brasileira foi a falta de segurança para as delegações, face ao temor de assaltos e roubos, hoje uma marca profunda e nada lisonjeira da outrora Cidade Maravilhosa.
O fato não deve ter causado surpresa aos brasileiros das grandes cidades e também das menores, já habituados a conviver com violência e sabedores de que turistas estrangeiros ficam precavidos quando vêm ao Brasil, ou elegem outro país para suas férias. Natural que fatos como a rejeição do Comitê Olímpico Internacional causam um constrangimento e uma certa vergonha da parte dos cidadãos honestos deste país e que gostariam de ver essa situação revertida. Mas ao invés de manifestar inconformismo, como aconteceu com o diretor do Comitê Olímpico Brasileiro, melhor será as autoridades e os brasileiros no geral tirarem lições do episódio e arrumar a casa, que então as visitas virão e se sentirão à vontade.
Mas, em defesa dos brios nacionais, pode-se questionar os critérios do Comitê Olímpico acerca do que considera segurança, porque os perigos brasileiros limitam-se à carteira no bolso dos descuidados e imprudentes visitantes, enquanto nas cidades agora habilitadas para nova seleção os riscos são bombas detonando edifícios, trens e outros alvos, semeando morte e destruição. Feliz ainda deste Brasil pobre, de muita violência, sim, mas onde não existe o terrorismo clássico que hoje apavora as populações dos países tido como desenvolvidos.
Se muita coisa há ainda a fazer, aqui entre nós, para sediar grandes eventos mundiais, uma razão contrária pode ser a escassez de recursos para implantar as estruturas necessárias, mas nunca a de segurança. As avaliações que ora fazemos não invalidam a defesa, que sempre deve ser feita, das grandes reformas que precisam ser implantadas para melhorar o nível sócio-econômico dos brasileiros e, por consequência, das cidades e de sua segurança, mas não é nada sustentável esse critério de seleção do Comitê quando elimina o Brasil e deixa a salvo cidades de maior risco.

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