André Stumpf
Os técnicos da área econômica estão montando alguns pacotes para administrar a enormidade da dívida pública brasileira. O endividamento interno e externo somado alcançou R$ 511 bilhões ou a metade do Produto Interno Bruto (PIB). Essa é a consequência daquilo que pomposamente se chamou, no início do governo Fernando Henrique Cardoso, de política econômica do PSDB. E que conduziu o País a uma gloriosa falência.
A teoria dos gênios informava que o Brasil precisava privatizar empresas públicas para reduzir os gastos de governo em setores que deveriam ser administrados pela iniciativa privada. Bela proposta. Além disso, argumentavam os iluminados, os recursos obtidos pela venda de ativos seriam canalizados para o pagamento da dívida pública. Os juros poderiam ser elevados às alturas para atrair capital externo. Os recursos originários da privatização quitariam tudo. Palavras.
Os gestores no Poder Executivo têm pleno conhecimento da situação falimentar do governo brasileiro. É preciso criar impostos de todas as formas. Arrecadar mais para honrar o serviço dessa dívida monumental. Para se ter uma idéia clara do que se trata, há um número muito esclarecedor: entre julho de 98 e julho de 99, o governo brasileiro pagou R$ 118 bilhões a título de serviço da dívida. Ou seja, pagou juros para poder rolar o principal. Vale a pena repetir. Em um ano pagou R$ 118 bilhões.
Desde a primeira privatização até hoje, foram arrecadados, na venda de ativos, apenas R$ 89 bilhões. Privatização não cobre a dívida, que insiste em crescer. E o presidente Fernando Henrique, assessorado pelos gênios, quer vender tudo. Taxar o que for possível e impossível. Inclusive aposentados. Vale atropelar a Constituição. É preciso achar dinheiro para honrar a monumentalidade da dívida. A política brasileira resume-se, hoje, na discussão do endividamento. Quem encontrar o caminho para resolver o problema estará mais próximo da cadeira presidencial.
Durante os governos militares, a dívida externa dividia opiniões. Mas todos concordavam que era possível conhecê-la. Estradas, pontes, fábricas e iniciativas semelhantes. A discussão era se seriam ou não úteis. A dívida de hoje, no entanto, é invisível. Não produz emprego, não gera renda, nem alivia as agruras da população. Só os bancos ganham. E alguns investidores estrangeiros. Os brasileiros, na sua maioria, perdem.
Os pacotes vão começar a se suceder. O governo precisa restaurar sua credibilidade. Pretende alongar o perfil da dívida. No entanto, é fundamental conquistar o credor. Ele é que permitirá ou não o acordo. Outra saída é a moratória. Mas falar nisso, além de politicamente incorreto, assusta brasileiros e estrangeiros. A experiência ocorrida no governo Sarney não foi bem-sucedida.
O problema, portanto, tem uma solução: pagar o devido. Como não há dinheiro, o governo vai sacrificar mais e mais a população. E tentar o que for possível para aumentar o prazo e reduzir os juros. Mas nenhum de nós verá o benefício de tamanho endividamento. Ele apenas engorda os bancos. É a política econômica do PSDB.

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