Ditadores na berlinda
A primeira vítima foi Zine el Abidine Ben Ali, que ficou no poder na Tunísia por 24 anos. Na sequência, o todo poderoso Hosni Mubarak, comandante do Egito por mais de três décadas. O próximo da lista pode ser o ditador líbio Muamar Kadafi, desde 1969 no mais alto posto da política do país.
Definitivamente a vida dos ditadores do mundo árabe não está nada fácil. O povo nas ruas já conseguiu colher resultados dignos de comemoração em algumas nações. Os poderosos de outras países também correm o risco de cair.
Nem todos têm com o que se preocupar, no entanto. De acordo com o professor de Relações Internacionais Andrew Traumann, o que explica as diferentes possibilidades de revolta popular em diferentes regiões do Oriente Médio são as condições sociais distintas.
Enquanto em algumas nações, como o Egito, a Tunísia e a própria Líbia, há muita miséria, em outras as ditaduras proporcionam um mínimo de bem-estar social aos seus cidadãos. E é justamente essa diferença que pode ser determinante para a permanência dos ditadores no poder.
Outro ponto destacado pelo professor Traumann, na entrevista Mundo árabe em ebulição, concedida à repórter Érika Gonçalves e publicada hoje na página 3, é a influência e os interesses dos Estados Unidos na região, que é rica em petróleo.
Exatemente por isso, ele acredita que a situação na Arábia Saudita, cuja dinastia do Rei Abdullah está no poder desde o início do século passado, pode não se alterar, uma vez que o país é um dos principais aliados de Washington na região.
Por outro lado, os povos têm demonstrado cada vez mais força no Mundo Árabe. Um dos maiores catalisadores dessas revoluções é justamente uma ferramenta corriqueira no cotidiano do Ocidente. Foi por meio da internet que a indignação se disseminou e transformou-se em revolta.
A consequência foram as manifestações reunindo milhares de opositores nas ruas pedindo a saída de dirigentes autoritários. Alguns já sucumbiram. Resta saber por quanto tempo outros resistirão à pressão que emana do povo.





