Termo usado pela primeira vez pelo médico norte-americano Steven Bratman em 1998 para definir pessoas que apresentavam obsessão por ''comer corretamente'', a ortorexia ganha, a cada dia, mais ''adeptos''. Esse grupo costuma retirar laticínios e carne da dieta, consumindo produtos naturais, não industrializados. A nutricionista Flávia Tutini Pagano, de Londrina, explica o fenômeno.

Por que a preocupação com o ''comer corretamente'' está crescendo?
O crescimento vai ao encontro das necessidades das pessoas. Gera-se a idéia de que se tiver uma vida saudável, estará mais protegido das doenças, caindo no exagero. Os fatores mais importantes que desencadearam a tendência são o culto ao corpo e a publicidade de produtos supostamente saudáveis ou enriquecidos. A falta de auto-estima e o medo do fracasso são outros condicionantes que acompanham os pacientes.

Quais problemas à saúde a ortorexia pode causar?
A ortorexia afeta a saúde e a função orgânica de diversas maneiras, provocando má nutrição, desajustes e outras doenças. Quando a dieta se torna mais severa e exclui alimentos fundamentais para que o organismo funcione, podem ocorrer desnutrição, anemia, deficiências ou excessos de vitaminas, minerais e outros nutrientes, e aumenta o risco de infecções. A ortorexia pode desencadear até problemas renais, depressão, ansiedade, hipocondria, dores musculares e apatia crônica. O aparelho digestivo está preparado para comer de tudo, mas, ao tentar que trabalhe somente com certos alimentos, perde sua capacidade de se defender e aumenta o risco de intoxicações.

Faltam nutrientes, quando se pensa apenas em comer o ''natural''?
A obsessão em manter uma dieta saudável pode ter o efeito contrário: além de causar danos psicológicos, leva a uma alimentação desequilibrada. Quando se retiram do cardápio carne, laticínios e ovos, cai substancialmente a ingestão de vitamina B12, cálcio, zinco e ferro na sua forma mais facilmente absorvível pelo organismo. Caso o ortoréxico não substitua os alimentos que deixa de consumir por outros de igual valor nutritivo, podem ocorrer sérios prejuízos à saúde. Entre os problemas estão a anemia e a carência vitamínica. Além disso, a falta de cálcio, presente em abundância nos laticínios, pode constituir sério risco à saúde óssea, gerando osteoporose.

Quais os demais problemas que a fixação por alimentos naturais pode causar?
Por se alimentarem de porções inadequadas ao funcionamento mínimo do corpo, pessoas que sofrem de transtornos alimentares têm grandes perdas de nutrientes importantes. A deficiência de vitaminas e minerais também pode causar problemas na imunidade e cicatrização, causando o ressecamento da pele, fragilidade nas unhas e cabelos quebradiços. No caso dos adolescentes, ocorre prejuízo ao crescimento e ao desenvolvimento. Para os adultos, as complicações clínicas são variadas e vão depender principalmente do grau de perda de peso.

Existe ''dieta ideal''?
Não diria ideal, mas equilibrada, levando em conta gostos e incluindo uma ampla variedade de alimentos.

Distúrbios alimentares não são exclusividade feminina, correto?
Sim, mas as mulheres de 18 a 40 anos, da classe média, são apontadas como o grupo que pode ser mais vulnerável.

A ortorexia e anorexia caminham juntas?
Sim, cerca de 50% dos casos de ortorexias acabam em anorexias, porque os ortoréxicos preferem não se alimentar a recorrer à comida que considerem ''impura'' e prejudicial à saúde. Porém, muitas ortoréxicas foram anoréxicas que, ao se recuperarem, optaram por uma dieta que inclui apenas comidas que não possam lhes causar nenhum dano. O problema também pode surgir em pessoas que sofreram transtorno obsessivo-compulsivo.

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