Distribuição da riqueza - Ardisson Akel
Ardisson Akel
Os empresários e a sociedade brasileira têm assistido, preocupados, desde o mês passado, ações do governo federal no sentido de fazer crescer o consumo interno e de solucionar o cada vez mais apertado nó da Previdência Social. As soluções encontradas, mais uma vez porém, recaem sobre as empresas e a sociedade.
Enquanto o Palácio do Planalto divulga programas de apoio à micro, pequena e média empresa e constata, finalmente, que os juros cobrados no País asfixiam e endividam quem deseja produzir, quase ao mesmo tempo, sobrecarrega estas mesmas empresas com aumento de alíquotas.
Enquanto o Planalto não encontra explicações sobre por que os juros cobrados do consumidor estão tão altos e promove medidas para que os juros baixem para este mesmo consumidor, prorroga até 2002 uma alíquota do Imposto de Renda para Pessoa Física que era provisória, como provisório era o tal imposto do cheque, a CPMF. Daí o dólar sobe e a notícia que se espalha é de uma possível volta da inflação.
O que percebemos é que a situação fica cada vez mais crítica porque as reformas que o Executivo, o Legislativo e o povo brasileiro anseiam não andam, perdem-se nas conversas, nas reuniões, nos conchavos. Cada dia perdido é mais um dia de esperança de uma solução que se vai. E impressionante é que todos desejam estas soluções. Mesmo assim, não assistimos ações concretas.
Talvez seja o momento de todos os segmentos conversarem e buscarem as soluções para os problemas brasileiros, ao encontro de um consenso que possa trazer os remédios para estes problemas. A opção deve ser pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e não por aumento de alíquotas.
O Brasil precisa, mesmo, é espalhar melhor a sua riqueza, e isto será alcançado com uma política econômica que vise o crescimento da atividade econômica. Que passa, necessariamente, pelas micro, pequenas e médias empresas, que empregam massa significativa de brasileiros que, empregados, têm condições de fazer girar o comércio, a indústria, a agricultura e o setor de serviços.
O pacote do governo federal do início de outubro é uma declaração de intenção, mas ainda é uma iniciativa tímida. O próximo passo deve ser a securitização das dívidas das empresas junto aos bancos. Como o governo protegeu os bancos com um Proer, as empresas de micro a grande necessitam, urgentemente, de mecanismos para parcelar juros e multas, além de expurgá-los das taxas escorchantes, tornando essas dívidas pagáveis.
É grave o momento! E todos temos nossas responsabilidades. O país caminha para seus quinhentos anos de descobrimento e nós vamos mudar de século. Ainda temos muitas coisas a fazer pelo Brasil. A ação positiva de cada um é uma garantia de um futuro melhor para nossos filhos. Frase, aliás, repetida há anos, que os nossos netos não precisam ouvir. Basta agirmos.





