O major brigadeiro-do-ar Washington Carlos de Campos Machado, que já foi diretor-geral do Departamento de Aviação Civil e chefe do Departamento de Lojística do Ministério da Aeronáutica, diz que falta planejamento coordenado no sistema aeronáutico brasileiro. Essa coordenação não existe na relação entre as três organizações que gerenciam o setor civil do sistema: o Comando da Aeronáutica, que controla o espaço aéreo e investiga acidentes; a Agência Nacional de Aviação Civil, que faz a regulação técnica e econômica; e a Infraero, que trata da infra-estrutura aeroportuária.
No caso da tragédia de São Paulo ele nomina várias instituições envolvidas com a segurança inexistente no aeroporto: o governo federal, a Agência de Aviação Civil, a Infraero, o governo de São Paulo e Prefeitura. E indaga quem conduz as coisas e com que autoridade. O Comando da Aeronática, a Agência e a Infraero estão sob as ordens do mesmo ministério - o da Defesa - e a ele incumbe impor-se com firmeza como órgão central do sistema, é o que recomenda o major brigadeiro. Para isso será preciso atuar vigorosamente na formulação de políticas com definição de prioridades. Porque há dissonância nos comandos. Tudo isso gera a crise ora vivida com o denominado apagão aéreo, e para agravar ainda mais a imagem do sistema aeronáutico ocorre uma tragédia como esta do aeroporto de Congonhas, cuja reponsabilidade recai sobre as autoridades. Óbvio que o Brasil sofre efeito negativo em seu status, inclusive junto à Organização Internacional de Aviação Civil.
Nunca como no episódio desse acidente se pronunciou tanto a frase ''tragédia anunciada'', porque pairava o temor de que tal acontecesse, em face das más condições da pista do aeroporto, antes da reforma, o que foi mantido na continuidade. Porque ela foi entregue para uso antes de serem feitas as ranhuras que drenam a água em tempo de chuva e dão aderência no momento do pouso. O problema de São Paulo, com o aeroporto de Congonhas sufocado e o de Guarulhos já estrangulado, não é apenas dos paulistas mas de todo o sistema e tem a ver com rotas e passageiros de todo o Brasil. O preço pago agora por duas centenas de vítimas é alto demais, e assim mesmo não se acredita que o problema de Congonhas seja resolvido. Porque os vôos continuam e irão continuar mesmo nos dias de tempo ruim. Já há empresários anunciando a recusa em embarcar em vôos que tenham parada nesse aeroporto. A ''greve'' dos passageiros pode ser uma saída.

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