Ruy FabianoDissidentes
insistem
A dissidência do PMDB ainda não desistiu da idéia de candidatura própria à Presidência da República. O recente depoimento de Itamar Franco na Justiça Eleitoral, quando sustentou acusações ao governo federal de manipulação da convenção do partido, evidenciou que as feridas ainda estão abertas.
Ontem, os dissidentes mais expressivos - Itamar, Sarney, Roberto Requião e Paes de Andrade - reuniram-se para tratar do tema e marcaram para o dia 7 de junho próximo reunião do Diretório Nacional. Essa reunião tem por objetivo fixar datas de prévias estaduais e municipais para que o partido decida se apóia ou não a reeleição.
O partido, como se sabe, já deliberou a respeito, em convenção nacional, realizada em oito de março passado. E deliberou favoravelmente à reeleição, por larga margem. Na ocasião, o presidente nacional do partido, deputado Paes de Andrade, dispôs-se a acatar o resultado e negociou sua permanencia à frente do partido exatamente dentro desse compromisso (que, claro, não está sendo cumprido).
O Panalto, desde o início, quis afastar Paes do cargo. Acabou cedendo aos argumentos de mediadores, que sustentavam que o tiro poderia sair pela culatra - isto é, Paes poderia virar vítima com o afastamento e faturar politicamente o episódio.
Os dissidentes do partido acreditam que a candidatura Fernando Henrique está em declínio. O que a mantém favorita seriam menos os seus méritos e mais as dificuldades da oposição em oferecer alternativas razoáveis. Lula, o único nome com alguma densidade, não favorece alianças mais amplas, que envolvam o centro. Ciro Gomes, do PPS, está confinado a uma estrutura partidária inexpressiva, o que lhe é fatal, em se tratando de eleições casadas.
Ou seja, o PMDB, alinhando-se à reeleição, estaria abdicando de uma perspectica concreta de poder, recebendo como contrapartida posição secundária na base política do governo. Não obstante ser o maior partido do país, é o terceiro na ordem de influência (e de cargos) na base parlamentar do presidente da República.
Esses os argumentos que os dissidentes querem massificar, daqui por diante, nas investidas junto às bases municipais e estaduais, com vistas à convenção nacional de junho, que formalizará (ou não) o apoio à reeleição.
O presidente Fernando Henrique, claro, não está de braços cruzados. A porção governista do PMDB dispõe também de seus trunfos. O maior deles chama-se Brasil em Ação, o programa de obras que o governo pôs em prática desde o ano passado, que garante verbas e inaugurações nos estados até o final da campanha.
Os governadores peemedebistas, candidatos à reeleição, preferem a segurança de estar vinculados ao governo federal que a aventura de uma candidatura avulsa, de natureza oposicionista. São eles os adversários dos dissidentes.

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