Quem entrar na sala de aula do curso de Eletromecânica Industrial do Senai vai ter trabalho para encontrar uma mulher no meio dos 38 alunos. Mas ela está lá. Andrea Neves, de 28 anos, é a única representante feminina entre os que pretendem seguir carreira na área metalúrgica.
Segundo o Perfil das Mulheres Economicamente Ativas, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 0,35% dos funcionários das indústrias metalúrgicas são mulheres. Andrea, que pretende colaborar para o aumento da estatística, começou nessa área incentivada pela família.
‘‘Tinha parentes que trabalhavam em metalúrgica e, apoiado por eles, comecei a fazer um curso de mecânica básica. Consegui emprego em uma indústria de Curitiba, identifiquei-me com o trabalho e não quero mais sair dessa área’’, garante a estudante, que tem como próxima meta fazer faculdade de engenharia elétrica.
Quando entrar na universidade, Andrea vai estar ‘‘vacinada’’ contra as brincadeiras e possíveis preconceitos por parte dos colegas de sala. ‘‘Alguns acham que eu não sei mexer com solda, que o professor me ajuda ou me dá mais nota só porque sou menina’’, reclama, lembrando que já conseguiu mudar parte do comportamento dos amigos.
‘‘Hoje eu levo na boa, mas no começo era bem mais complicado. Os meninos falam muita besteira, mas lembram que eu estou por perto e tentam evitar’’. (M.F.)

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