É um problema brasileiro e de muitos países a presença dos guardadores de carros que atuam nas ruas das cidades, alguns impondo preços mediante tíquetes que apresentam previamente a quem estaciona. Eles costumam não atuar onde há Zona Azul, mas estão presentes em muitos pontos e inclusive durante a noite e nas madrugadas, nos entornos de bares, restaurantes, casas de espetáculos e outros locais onde se aglomeram pessoas com seus veículos.
Muitos deles fazem ameaças de danificar o veículo - e o fazem - se alguém recusar a imposição. Ninguém é obrigado a aceitar isso porque o Estado já cobra múltiplos impostos dos donos de veículos. Por isso, trafegar e estacionar é um direito, mas assim mesmo chegou-se a institucionalizar mais cobranças como o pedágio nas rodovias e a Zona Azul em áreas urbanas. Esta, ao menos, tem a função de dar empregos. E não são apenas os casos citados, mas também os pedintes nos semáforos, os que oferecem coisas para vender e os malabaristas.
Com vistas a uma solução do problema, em Maringá um vereador propõe a regulamentação da atividade já que lei federal o considera um profissional autônomo. A proposição deverá gerar polêmica porque isto passará a ser mais um ônus obrigatório ao proprietário de carro. Porque, onde há Zona Azul - naquela cidade denominado EstaR - a cobrança é feita pelo uso de espaços durante o dia (nas ruas centrais), e se o projeto de Maringá for aprovado e seguido por outros municípios, a obrigatoriedade de pagar para estacionar se estenderá também no período da noite e das madrugadas, porque é nesses horários que os guardadores mais atuam e quando os mais abusados fazem imposições. Se um bem é confiado à guarda, deve ser guardado e no caso do veículo é justo o proprietário pedir indenização se ele for roubado ou danificado - como acontece com os estacionamentos legalizados. Já que se quer fazer a coisa estribada em lei, que a lei seja completa. Como é inviável imaginar o seguro tratando-se desses guardadores, a regulamentação com certeza criará problemas.
Melhor do que criar mais encargos é encontrar mecanismos de policiamento que impeçam não a existência dos guardadores de carros, mas a ação criminosa daqueles que fazem disso um assalto por impor um preço fixo e fazer ameaça de dano ao carro e danificá-lo de verdade, como já tem acontecido. Se algo ruim é difícil de ser combatido, não significa que deva ser regulamentado. Da mesma forma que não se pode regulamentar a violência, o uso de drogas e todos os demais atos ilícitos.

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